Trâmites revolucionários

Que a TV Brasil é um projeto de forte caráter ideológico de controle da informação pelo Governo, já está claro. Somente se o presidente não tivesse escalado pessoalmente o jornalista e ex-guerrilheiro Franklin Martins para comandar o projeto ou se não tivesse sido votado na forma de Medida Provisória, para evitar maiores discussões e questionamentos, poderia alguém pensar diferente. Os meios pelos quais a TV está sendo implantada gravitam entre o inútil e o golpe explícito contra os meios de comunicação e a própria liberdade. Apenas neste primeiro momento, devido a ilusão proposital de que o sistema democrático não se encontra ameaçado, pode parecer, para analistas de pouco conhecimento, ou pura má fé, que seja diferente.
A prerrogativa tem um colorido especial: democratizar a informação e a cultura à população de baixa renda. Não é preciso lembrá-los que de cada 100 lares brasileiros, 98 dispõem de TV aberta e que mesmo esta produz canais educativos e de informação cultural devidamente “engajada”. Não é preciso nem mesmo dizê-los que o Brasil está entre os menores compradores de livros do mundo, com média anual de dois livros por habitante. Não precisamos lhes refrescar a memória ou ilustrar o seu repertório estatístico com o que é de total conhecimento deles.
O que espanta é justamente o perigo que corremos ao endoçar a criação de um meio que viabilize ainda mais a tomada da hegemonia pela nossa velha conhecida, a Intelligentzia de Antônio Gramsci. Melhor meio para se chegar ao “grande fim”, não há neste mundo.
Mas é claro que o governo já tentou cuidar do investimento nos livros. Em 2007, foram comprados milhares de exemplares do livro didático sobre Simon Bolívar, do governo venezuelano, com o pretexto de “conhecermos melhor os países vizinhos”.
No Senado, o gaúcho Pedro Simon criticou duramente o fato de o governo ter enviado para votação o projeto como medida provisória, o que impossibilita maior nível de discussão entre os parlamentares. MPs devem ser votadas rápido, quase em caráter de urgência. Dessa forma, não só o governo aprova o que quer facil e rapidamente, como têm ultimamente lotado a pauta do Senado com MPs que acabam por inviabilizar votações de maior importancia.
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