O preço da evolução

O minúsculo principado de Seborga pertence à Itália desde 1946, quando houve a criação da república italiana. Recentemente, o príncipe Giorgio I e a população local conseguiram um acordo com o governo italiano para a maior autonomia do antigo principado. Os habitantes estariam insatisfeitos desde a anexação do território à república o que proporcionou novos gastos para a população. Um novo governo regional monarquista, dessa forma, vai funcionar no palácio particular do príncipe e terá no máximo três ministérios e não terá impostos. O príncipe viverá das próprias economias como vive desde o fim da monarquia.

Existem muitos exemplos de governos cuja organização tem grandes chances de ser adotada pela grande maioria dos países em um futuro próximo, isso dada a praticidade dos modelos de descentralização e separação de poderes e jurisdições. Os modelos tradicionais das repúblicas presidencialistas têm mostrado conseqüencias nefastas na grande maioria dos casos conhecidos e isso aparentemente não é percebido.

O países detentores dos maiores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) são os de base parlamentarista, na maioria monarquias constitucionais. Modernas práticas democráticas incorporadas a uma profunda preocupação com a educação tem constribuido para a manutenção de economias que não visam se tornar grandes potências, mas vencem o verdadeiro objetivo para o qual foram criadas: a boa sobrevivência dos povos de forma a amparar o desenvolvimento sustentavel da civilização.

Quanto aos formatos regionais, âmbitos locais e especificidades de ordem particular, pode haver discordancias e interpretações relativizadas. Porém, quando o assunto são os números, não se pode dar ao luxo mundano do abuso da estupidez ou da má-fé. As repúblicas são consideravelmente mais caras ao cidadão do que as monarquias. Isso é fato.

E é o que se pode verificar diante do custo per capita dos governantes por ano. Na maioria das monarquias, cada cidadão paga anualmente uma média de US$ 1,50 (um dólar e cinqüenta centavos). A monarquia mais cara é a britânica que custa US$ 1,82 para cada súdito do palácio de Buckinghan. Enter as repúblicas, no entanto, é difícil saber qual a mais cara ou determinar uma média anual. O que se sabe é que no Brasil, o ostentoso Palácio do Planalto custa a cada brasileiro, US$ 12 (doze dólares) por ano. Este valor é deduzido de acordo com dados do TCU e se refere somente aos gastos com a manutenção do cargo de presidente, sem contar os ministérios, etc.

Na Inglaterra, porém, o custo “excessivo” da monarquia é diminuido diante do imenso lucro que esta traz ao país com o turismo que movimenta. Já o Brasil não pode dizer a mesma coisa da sua república que desde a sua “proclamação” só tem dado prejuízos e desgostos ao país.

É claro que a diferença não aparenta ser tão grande em países como Portugal que paga cerca de US$ 1,90 pela representação e administração do seu presidente, talvez uma das repúblicas mais baratas. Entre as honrosas excessões das repúblicas européias mais avançadas, estão a Suíça, o país de maior qualidade de vida e o grande destaque das tabelas de IDH. O povo suíço vive como em uma comunidade ou bairro. Um dos menores países do mundo vive, na verdade, como uma federação de pequeníssimas repúblicas. O presidente tem mandato de um ano e praticamente não tem poderes. Tudo é decidido por meio de plebiscitos e referendos, uma prática que só poderia funcionar em um ambiente de grandiosos investimentos em educação e noções de cidadania e democracia. A Suíça pode ser um dos únicos lugares onde a chamada Democracia Direta tem funcionado perfeitamente.

Países subdesenvolvidos frequentemente em suas histórias tiveram bons momentos e períodos de desenvolvimento. A proclamação da república no Brasil pode ser um exemplo de ruptura desnecessária. Não seria preciso manter a monarquia, no entanto, para que a situação de crescimento perdurasse. Bastaria que se mantivessem as vantagens de um sistema bipartidário, parlamentar, constitucional e democrático. O golpe da república trouxe o autoritarismo e entusiasmo militar da caserna da época, maquiado com a visão positivista e evolucionista.

D. Pedro II recebia mensalmente 60 contos e reis e Deodoro da Fonsceca, ao tomar o poder, aumentou o salário dos governantes para 120 contos de reis. Daí em diante os custos só aumentaram e o povo a cada dia sabia menos quem o governava. Hoje a modernidade gasta milhões para nos convencer de que a evolução possui um alto preço. Só mesmo ocultando o presente e o que acontece diante dos nossos olhos, em países nem tão vizinhos, é que se tornou possível convencer alguém de que é alto o custo do desenvolvimento.

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