Velhos conceitos políticos regulam a economia do século XXI

Ludwig Von Mises elaborou uma das mais importantes teses econômicas ao discutir a possibilidade prática de uma economia socialista. Para ele, a planificação proposta por marxisas seria impossível já que o cálculo econômico, usado para a elaboração dos preços e custos para o governo, deveria ter um referencial, o que se fato só existe na concepção liberal-capitalista.

O problema maior apontado pelos críticos posteriores de Mises é que, tendo ele escrito a sua principal obra O socialismo – estudo econômico e sociológico, em um período de crise do regime soviético, em 1922, baseou-se naqueles fatos presentes sem saber que, em 1929 viria a crise capitalista representada pela queda da bolsa de Nova York daquele ano. Estes críticos garantem o equívoco de Mises, atestando que, ao declarar a impossibilidade da economia socialista, desconhece que ela, na verdade, funciona e os casos demonstram isso. Provavelmente estão se referindo ao caso de Cuba do século XX e da China do corrente. Ora, se a ilha de Fidel tivesse funcionado ela não teria necessitado da ajuda dos países soviéticos como a URSS que, com a ajuda indispensável da mão de obra barata, pôde se manter por tanto tempo. E depois dessa decadência econômica, Cuba tornou-se uma ilha miserável que, não fosse o turismo aproveitado ao máximo pelo ditador, não teria sobrevivido sequer uma década. Também temos que considerar que os socialistas têm a capacidade de manter um país apenas com a força dos braços subnutridos, sem fazer caso de eventuais perdas humanas, graças à concepção marxista de que o homem é um ser econômico.

Economia chinesa

A China merece especial atenção neste início de século e milênio. Foi justamente a comprovação das idéias de Mises que fez com que o país se abrisse comercialmente para, então com uma economia estatizada, acumular grandes fortunas para o Estado e inchá-lo ao ponto de ter se tornado a grande economia totalitária da Ásia. E foi por meio de privatizações sim que, a China se tornou o que é hoje. Mas o que aconteceu ao país asiático não pode ser chamado de “reforma liberal”. Liberalismo pressupõe muito mais do que uma doutrina econômica, pois passa pela visão, já mencionada, do homem como fim em si mesmo, indivíduo único e insubstituível.

Com uma economia capitalista e uma política ditatorial, a China tem conseguido formidáveis elogios da imprensa ocidental. Isso porque, diante de um PIB de mais de 8% ao mês, a China pode parecer uma potência capitalista e, aos olhos do ocidente, trata-se de uma coisa não apenas positiva, mas formidável. Os índices, no entanto, não dizem nada a respeito da liberdade dentro do país. A China é feita de grandes empresas que detém a maior parte do rendimento e do lucro que o país produz. O governo controla com mão de ferro essas empresas, por meio de impostos altíssimos. Dessa forma, o Estado tem o poder sobre o grande parte do lucro empresarial, conseguido por conta da mão de obra barata que o sindicalismo chinês garante. Os sindicatos chineses são verdadeiras máfias a serviço do governo. Não é possível negociar qualquer aumento de salário e os trabalhadores chineses são o grosso da população. Mesmo com tudo isso, há quem diga que a China é um país capitalista. A sua economia se aproxima muito mais do fascismo do que do socialismo. Mas a imprensa, principalmente a brasileira tão motivada pelo amor ao esporte em ano olímpico, faz aberrações totalitárias parecerem maravilhas capitalistas.

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