Jornalismo e Facebook: usos e costumes

O que a Internet conseguiu ganhar em conteúdo relevante, as redes sociais acabaram por desfazer, retornando o mundano às mentes dos inéptos, dentre os quais estão jornalistas respeitados, que jogam o tempo fora em frivolidades ao invés de fazer circular a informação de qualidade.

É desagradável a mim tratar destes assuntos, redes sociais e meios tecnológicos, por achar que se tratam de simples meios, de importancia evidente para o mero fluxo de informação – verdadeira on não. Não vai, portanto, muito além dessa perspectiva utilitária. Mas venho a tratar disso para alertar de um perigo eminente que ronda principalmente as classes profissionais que atuam na Internet. É importante, no entanto, que se considere as obviedades inerentes àquilo de que estamos falando.

É possível ganhar conhecimento na Internet, verdade seja dita. Mas não da maneira como comumente se faz e se crê. Ela é por sí um meio, não um fim. Tampouco um princípio. Fins e princípios devemos obter de ante-mão, antes de entrarmos na rede mundial, sob pena de perdermos para sempre o referencial moral que manteve a alma humana, em grande parte da história das civilizações, distanciada do mal, que é nada mais que aquilo que chamamos hoje de inútil.

As redes sociais, neste contexto, são uma forma de comunicação entre pessoas e grupos. É o puro e mecânico compartilhamento de informação, sejam fatos ou factóides, de conteúdo prático e corriqueiro, quase sempre. Mas é verdade que nestes estão os fatos da política e eis a atividade que merece mais do que atenção de todos, especialmente nestes dias.

Mas venho a falar deste assunto, mesmo a contra gosto, por acreditar que o seu uso sadio pode realmente ter significância para a democracia e para a prática dos valores. Não o conhecimento dos valores, pois estes muitas vezes demandam leitura mais aprofundada e reflexão além dos estereótipos superficiais. Partamos para os fatos.

A rede social Facebook tem experimentado crescimento no Brasil, conforme informações de revistas especializadas. É fato que o Orkut sempre ocupou o posto de rede social brasileira, o que vem sido mudado pelo Facebook paulatinamente. É possível que o Facebook seja melhor devido suas possibilidades de compartilhamento de links externos, o que dá maior abrangência ao que o usuário da rede pode ter acesso. Isto é, não fica o membro da rede restrito ao conteúdo da própria rede, o que o torna mais livre diante das suas possibilidades de informação.

Ainda assim, as redes sociais são um antro de inutilidade informativa sem tamanho e de espantosa periculosidade para quem quer que valorize as informações aprofundadas. O que a Internet conseguiu ganhar em conteúdo relevante, as redes sociais desfizeram, fazendo retornar o mundano às mentes dos inéptos que deviam ser constrangidos a optarem pela qualidade de conteúdo. Digo isso do uso dela no público geral, que nos parece naturalmente menosprezar a informação e preferir dar ouvidor aos próprios sentidos e impulsos físicos, tal o restante das criaturas irracionais.

Mas chego enfim onde quero chegar: jornalistas, advogados, profissionais ligados à política, aos negócios e a toda sorte de áreas de vital importancia para a sociedade e para o desenvolvimento individual, estão perdidos em emaranhados de nulidaes que se avolumam em torno deles. São as frivolidades como “Farm”, “Mafia”, entre outras imbecilidades que rebaixam o gênero humano ao nível dos estímulos de prazer mais baixos, inferiores por natureza. Vejo todos os dias jornalistas profissionais, que deviam estar vinculando informações das mais relevantes que lhe tenha ao redor, das que tenha acesso em seu meio de trabalho para exclusivamente trabalhar no informar, no compartilhar fatos, enfim, realizar a tarefa para a qual foi imbuído quando saiu da sua faculdade; ou se não a freqüentou, desempenhar a função que escolheu, que julga ser merecedor de referência, de ser chamado pelo nome da profissão com certo orgulho ou ao menos sem nenhuma vergonha.

Ao invés disso, espalha o seu horror ao conhecimento e ao relevante. Evidencia a sua preferência pelo irracional e pelo ócio destrutivo, estimulantes valiosos aos que nada pensam, nada fazem e menos querem. Espalham as suas mensagens ignóbeis como doenças que constrangem a todos. Não estou falando de adolescentes, que fique claro. Estou falando de velhos profissionais. Velhas almas que nada mais conseguem pensar por acreditar estarem em um mundo de seguranças perpétuas. Por vezes, todavia, essa personalidade se manifesta em mentes adolescentes igualmente, o que é ainda pior.

Vejo isso de todo o tipo de profissional e não vejo perspectiva para estas pessoas a não ser tornar-se popular em redes de pessoas ainda mais inúteis, que sem dúvida alguma beiram a animalidade.

Aqui vai um recado aos profissionais e aos homens e mulheres que se entregam dessa forma ao inútil: será tarde quando, velhos e mal informados, pobres de espírito mas ricos em ‘amigos virtuais’, lhe exigirão uma posição mais firme em relação à vida. Sem a procura dos princípios que nos devem orientar, estarão escravos do momento, aprisionados na temporalidade que as mentes mais preparadas criaram para a sua clausura. E será tarde para encontrar algo importante em terabites de informação perdida.

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