Excesso de apego a bicho de estimação sugere carência e fuga da realidade

Recentemente, o caso da enfermeira que maltratou um animal na frente de uma criança transformou-se em verdadeiro drama nacional. Mensagens de ódio e ameaças de morte vindos de todos os lados tinham como alvo a tal enfermeira, que terá seu registro profissional cassado. A justiça brasileira tem feito o possível para atender às milhares de manifestações contra a enfermeira “assassina”. A mesma indignação não é vista, porém, sobre os casos de homicídio ou infanticídio. O que está acontecendo? O que dizem os especialistas sobre isso?

“Congelei meu passarinho porque não tive coragem de enterrar”

“Pessoas que apresentam um grau de depressão ou de carência muito elevado estão mais suscetíveis ao apego em excesso pelos seus bichos”, diz o psicólogo Paulo Tessarioli. “Muitas vezes, essas pessoas vivem em função do sue animalzinho, esquecendo muitas vezes da sua vida social, por exemplo”, diz.

“Pela minha experiência em consultórios, o homem não pode viver sem dar carinho. Por isso quem sente dificuldade em mostrar afeto canaliza essa necessidade nos animais de estimação. Essas pessoas demonstram amor pelo cachorro, mas não conseguem dizer aos próprios pais que os ama”, contou a psicóloga clínica Mirian Santos, da organização não-governamental Espaço Família.

O amor aos animais está em alta. Eles alcançaram o posto de membros da família, mas em alguns casos são a única família. Segundo especialistas, o que acontece é reflexo de uma crescente incapacidade no trato com humanos.

Mirian Goldenberg, antropóloga e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), diz que o que mudou, também, é que a sociedade ficou mais individualista. “As pessoas percebem mais reciprocidade do que nos relacionamentos convencionais, onde se sentem constantemente cobradas e criticadas.”

Muitas vezes esse comportamento denota uma tendência antissocial muito forte além da repulsa por seres humanos. A fisioterapeuta Egle Della Paschoa, de 29 anos, é noiva e seu futuro marido terá de adotar Beatriz, sua cadela vira-lata, pois, dela, Egle não abre mão. “Ela é minha filha, sim, e não me importo com o que as pessoas pensam disso. Eu não faço questão de manter muita proximidade com quem não gosta de animais”, diz.

Segundo o psicólogo Guilherme Cerioni, cuidar de animais é uma forma de receber de volta o amor que doamos. “As pessoas, hoje em dia, sentem dificuldade de se relacionar ou de estabelecer um vínculo social, por diversos fatores da forma de vida contemporânea”.

O animal aceita qualquer companhia independente dos problemas sociais e psicológicos que a pessoa tenha, então se trata de uma verdadeira terapia. Qualquer coisa que a pessoa espere dos seres humanos e se vê frustrada pode ser compensada na companhia dos animais de estimação.

Ainda assim, lembre-se de que é impossível viver sem o afeto humano. “O animal não pode se tornar uma armadilha de isolamento afetivo e social”, afirma a psicóloga Malu Favarato.

Anúncios

5 comentários em “Excesso de apego a bicho de estimação sugere carência e fuga da realidade”

  1. Realmente o afastamento do convívio social com seres humanos não é uma coisa saudável. Mas acho que em muitos casos os animais veem ajudar até mesmo uma aproximação entre pessoas que teem o mesmo apego com animais. Na minha casa por exemplo temos vários cachorros e isso acabou nos unido ainda mais, inclusive com amigos que acabaram adquirindo bichos depois de nos visitarem. Acho que a repercussão do caso foi importante para que possamos dar um basta aos maus tratos de animais. Não acho exagero a indignação que o vídeo, aliás de uma crueldade repugnante, causou tanta comoção. Afinal os animais são seres que merecem nossa proteção. Mas vejo ameaças verbais inclusive de morte desnecessárias, a violência nunca nos ajuda em nada. Também seria ideal que nos unissemos novamente para mostrar nossa indignação com os escandâlos constantes de corrupção na política. Esse comoção nacional serviu para nos mostrar que temos força, e devemos usá-la para mudarmos situações prejudiciais a sociedade.

  2. Boa, Cristian!
    Todo dia aparecem na tv, clínicas de aborto sendo fechadas, com dezenas de mulheres na sala de espera, aspiradores de fetos e trituradores de carne que vomitam o bebe moído em sacos de lixo preto.
    Nunca vi realmente um desgraçado de uma figa reclamar sobre isso.
    Abraço.

    1. Isso é uma coisa terrível, mas neste caso essas mães são as maiores culpadas, elas é que estão indo praticar esse crime contra seu próprio corpo e seus filhos… Pq vc acha certo não reclamar sobre animais? Eles não estão indo até o local pedindo para serem maltratados, como essas mulheres… Quem maltrata um animal é capaz de fazer o mesmo com uma pessoa, e quem não sabe demonstrar o amor a um animal, não sabe fazer de coração com as pessoas, conheço pessoas que não gostam de animais e não conseguem dar um abraço no próprio filho….

  3. Todos argumentos acima são ponderáveis. Um fato não justifica o outro. Pessoas capazes de maltratar animais a exemplo da enfermeira são capazes de qualquer ato abominável como praticar aborto, eutanásia e toda espécie de atentado à vida. A distorção está no foco que é dado a cada assunto. Aborto, inseminação artificial, eutanásia etc, não são abordados de maneira real e contundente por que não interessa ao poder dominante. Campanhas a favor do aborto são apresentadas por entidades governamentais e ONGS.Projetos de legalizaçao do aborto e casamento gays com a finalidade de desestruturar a família é projeto de todo governo socialista (marxista) por isso o cristianismo é frequentemente atacado no mundo todo por defender essas causas. Maltratar animais é abominável sim pois denota o grau de maldade de um ser humano para com uma criatura viva e que a nível social pode servir de avaliação da inteligencia emocional, tão requisitada hoje pelas grandes empresas durante o processo de contrataçao de profissionais. Vamos defender vida em todos os níveis pois todas são obras de Deus.

  4. Não entendo como as pessoas podem não gostar de animais, judiam sem ter motivos. Existe algum tipo de estudo do por que as pessoas não gostam de animais? Como foi a infância dessas pessoas, se não gostam de animais elas conseguem amar outras pessoas ou somente a elas mesmas? Conheço pessoas que não gostam de animais por nada no mundo, e também não conseguem se relacionar com as pessoas (nem com os filhos), uma delas me disse que não consegue dar um beijo no filho, e deixa para o pai das crianças qualquer coisa relacionadas à elas… Estranho, uma mãe não conseguir se relacionar nem com os próprios filhos e não gostar de animais, para mim o problema é psicológico e está relacionado.
    Outra coisa estranha é como as pessoas ficam indignadas quando outras ajudam os animais, quer dizer que todo mundo pode espancar e matar os bichinhos e todos devem aplaudir? E sobre esse tipo de revolta não acontecer quando é com seres humanos é mentira, um grande exemplo é o caso da menina Isabela, que chocou o Brasil, e todos querem justiça por ela! E na minha opinião, essa enfermeira deve pagar pelo que fez ao cachorro, se é capaz de fazer isso com um animalzinho, é capaz de fazer com uma pessoa, até mesmo com o filho.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s