O eixo dos protestos

manifestante-atira-cadeira-em-fogueira-feita-em-rua-durante-protestos-no-centro-do-rio-de-janeiro-1371523010421_1920x1080Os protestos dos últimos dias são parte de um programa organizado que têm como estrutura uma ampla rede de captadores de verbas de incentivo à cultura, mídias e movimentos sociais ligados ao Governo, financiados por empresas como a Petrobrás e que tem como principal fonte de apoio internacional a Fundação Open Society, do megainvestidor George Soros. Não há mistério nisso, já que toda essa rede tem suas relações abertas e declaradas em seus sites, bastando ao descrente averiguar por si mesmo seguindo caminho óbvio pelas fontes do dinheiro e das teorias amplamente difundidas nestes meios. O que pouco se sabe é o funcionamento interno dessa rede e que possibilitou a organização massiva dos protestos recentes.

O pretexto era o preço da passagem, mas o grupo que recebe dinheiro público é aliado de partidos de extrema-esquerda e cooptou punks para os protestos, transformando tudo em um emaranhado de pretextos subjetivos e gerais, difusos e sem representatividade clara, mas tudo sob as conhecidas premissas de uma mentalidade de esquerda. Até cristãos desinformados confundiram a “justiça” reivindicada com o Reino de Deus na Terra, patriotas nostálgicos e jovens idealistas ingênuos bradaram o “despertar do gigante”. Confusões que só pioram com a imbecilidade da cobertura midiática. É difícil desfazer um rolo destes, mas um pouco de informação e menos opinião sempre podem ajudar a clarear as coisas.

O sociólogo pós-marxista Alain Touraine, no livro Crítica da modernidade, identifica o movimento social como o “sujeito” que, afastado do conceito de “luta de classes”, transfigura-se em projeto cultural. Funciona como um criador de consciências e transformador da sociedade já que a consciência de classe não existe e deve ser forjada com a própria militância, como admitiu o também marxista Ernesto Laclau. Portanto, a única espontaneidade dos protestos é a do servilismo útil fruto da crença equivocada no domínio popular do sentido da história, alimentada por décadas de ensino e mídia revolucionária. Quando se trata de correntes de esquerda, a massa útil de indignados só serve de bucha de canhão para destruir a ordem estabelecida e fincar no solo destruído a bandeira totalitária.

O livro Movimentos em Marcha: ativismo, cultura e tecnologia, escrito em conjunto entre os principais articuladores dessa rede de captadores e empreendedores dos movimentos sociais, conta os bastidores do debate entre eles e o governo na busca de verbas e apoios institucionais para viabilizar essa rede de mobilização em massa que une partidos de esquerda e intelectuais das mídias digitais.

Essa rede é representada pelo movimento Fora do Eixo que “dispõe de 57 CNPJs de todo tipo: editora, produtora, bar, ONG, Oscip, fundação… Grande também é o número de cartões que eles podem utilizar para financiar projetos e despesas”.

“Vinte e oito pessoas têm a senha do cartão do banco e podem utilizá-lo livremente para suas despesas pessoais. Tudo que precisam fazer é discriminar e justificar o gasto. Em resumo: se você entra e trabalha para o Fora do Eixo, você tem todas suas despesas pagas. E esse tipo de remuneração é seguido por até 2 mil pessoas pelo país nos coletivos ligados ao circuito. […] É com esse orçamento ultrassocialista que alugaram, no começo de 2011, a casa em São Paulo, e estabeleceram ali a nova sede para uma nova fase. O Fora do Eixo montou seu quartel-general no coração do eixo. Agora, com a trama bem costurada em 112 cidades, a estratégia é ganhar o mainstream, atrair artistas com carreiras mais consolidadas e criar um polo para atrair gente, dinheiro e oportunidades” (Movimentos em Marcha: ativismo, cultura e tecnologia)

É claro que toda essa rede tem servido a projetos culturais, shows, festas e divulgação de artistas independentes etc. Mas foi justamente de dentro dessa estrutura de Ongs, Oscips e fundações que veio todo o apoio para a organização das manifestações. Mais do que isso: toda a teoria globalista de esquerda que propõe uma nova contracultura por meio de uma sonhada “regulamentação das mídias digitais” é difundida no Brasil por meio destes movimentos aliados à Marcha da Maconha, liberação de todas as drogas, cujo garoto propaganda é FHC, súdito de Lord Soros.

“O Fora do Eixo cria, portanto, uma geração que se utiliza sem a menor preocupação ideológica de aspectos positivos da organização dos movimentos de esquerda e de ações de marketing típicas dos liberais. É, como disse, o teórico da contracultura Cláudio Prado, a construção da geração pós-rancor, que não fica presa à questões filosóficas e mergulha radicalmente na utilização da cultura digital para fazer o que tem que ser feito”.

Durante a gestão de Gilberto Gil no Ministério da Cultura, Cláudio Prado foi “um dos principais braços na hora de abrir o acesso da molecada representada pelo Fora do Eixo em Brasília”. Suas reivindicações eram a ampliação do acesso às mídias digitais, regulamentação da mídia, descriminalização da maconha, entre outras. E foi grande a parceria e o apoio daquele ministério a este movimento, que praticamente fundou suas bases naquele governo. Acontece que o governo Dilma não manteve o mesmo nível de diálogo.

“O MinC hoje desconstruiu esse diálogo. Deixou órfãos milhares de esperanças. A perda desse diálogo do governo com a sociedade civil é que estamos chamando de retrocesso. Mas isso é um acidente de percurso – os movimentos desencadeados nos oito anos de Lula são inexoráveis”, diz Prado no livro e promete:

“O sonho não acabou não… Ele renasce tropicalista, na vocação plena do Brasil Fora do Eixo. O governo voltará a nos entender…”, garante.

Se os protestos se dirigem contra o governo Dilma, mas estão amparados por uma esquerda e extrema-esquerda unida em coro e dinheiro globalista, não será estranho se além das bandeiras da censura às mídias e a marcha da maconha, aparecer no cenário uma grande onda de “Lula lá” ou pior.

Para quem achou a transição de um governo da esquerda fabiana (FHC) a um governo sindicalista (Lula) um rumo mais à esquerda, espere para ver a próxima etapa, já que os atuais líderes dos protestos julgam o PT um partido elitista e burguês. Eis o grande “salto” prometido na propaganda do partido. Um salto ao abismo.

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7 comentários em “O eixo dos protestos”

  1. Assim como a mídia vendida, todos os comentaristas do MSM que analisaram as últimas manifestações pelo Brasil, fingiram que não viram os 980 mil brasileiros, atrás dos 20 mil malucos marxistas que as liderava. Ou deram um significado equivocado para essa multidão (OC, por exemplo). Mas por que? Simples! Aquela gente toda contraria uma tese, equivocada, de que o destino de nossa sociedade, hoje em dia, será a consequência de um conflito ideológico, quase metafísico, entre dois grupos: os que lêem Antonio Gramsci, e os que lêem Ludwig von Mises. Bobagem. Tanto a esquerda radical, quanto os conservadores intectualizados, esquecem-se de uma entidade chamada CIDADÃO COMUM!. São eles que decidem, mesmo sem saber que decidem. O mundo foi, e sempre será, a soma vetorial das vontades, dramas pessoais, decisões acertadas ou equivocadas, de bilhões de INDIVÍDUOS. Para que um sociólogo tivesse a chance de prever os caminhos de uma sociedade, deveria caminhar por milhares de becos, ruelas, avenidas, barracos, mansões e apartamentos. E ainda assim, quanto terminasse esta gigantesca caminhada, e reiniciasse o trajeto, provavelmente muita coisa teria mudado. Novas direções, novas tendências… Mas e a Elite Globalista? Coitados… viram a cara do George Soros? Toda enrugada? Este homem está com o pé na cova! E as grandes organizações gnósticas, que já nos dominam? Nos dominam? O que um bando de velhotes usando túnicas brancas e capuz cônico com dois furos para os olhos pode fazer para afetar EFETIVAMENTE a vida de bilhões de pessoas em suas casas, tomando uma cervejinha, assistindo o Faustão, preocupado com as contas para pagar? Nada! São bilhões de INDIVÍDUOS, com suas existências complexas, e seu LIVRE ARBÍTRIO! Não podem nada!

    1. Você subestima a força globalista e superestima o poder do povo como extensão do seu próprio. Isso é fácil. Busque estudar as coisas mais friamente, sem empolgação nem desilusão. Leia outros artigos meus aqui deste blog e verá que, com a quantidade e qualidade dos estudos de psicologia das massas até hoje, toda reação popular, mesmo que legítima e espontânea, corre um risco imenso e é quase inevitável que seja utilizada por aqueles que dominam os meios de comunicação e de controle dos desejos populares, já instigados por eles mesmos há décadas.

  2. Achei muito interessante esse topico e a grandeza que o assunto se estende. Mas voces realmente acreditam que os desejos comuns e necessidades basicas ate aqui reenvidicadas pelos movimentos podem ser desvirtuadas por quaisquer forcas globalistas? Posso estar enganado, mas nao tenho essa perspectiva de que podem simplesmente fazer com que acreditemos em qualquer manobra pra nos cegar daquilo que sabemos que temos como direito constitucional. Pra isso necessitaria uma forca de mudanca tao radical que seria quase como engolir um sapato como se fosse uma colher de sopa. Acredito nas forcas de interesses, mas tambem acredito nas forcas contrarias a isso, temos inteligencias que nao seguem as mesmas opinioes ideologicas.

  3. Psicologia das massas? Marx adoraria esta frase! O que são as “massas”? Abstrações arbitrárias, filtrando a complexidade da existência individual, irredutível! Infelizmente, para os bobocas globalistas, o mundo real não é o “1984” de Orwell. Não somos uma civilização de idiotas defronte um monitor de TV, cumprindo as ordens do Grande Irmão. Veja nos livros de história: O Imperador não sabe se o súdito que o visita lhe trará uma joia de presente, ou um punhal para esfaqueá-lo. O Grande Ditador não tem controle sobre aquilo que acontece na sala ao lado do seu escritório. O “conspirador” do CFR, após quase espancar um colega em uma reunião do Conselho, devido a uma divergência estratégica, apanha da esposa por que chegou tarde em casa. Em seguida, descobre que a filha de 13 anos está grávida. E que o filho drogado está hospitalizado. Terá que ficar uns 6 meses sem ir às reuniões. Não são semideuses…
    Com certeza, as instituições globalistas estão tentando nos influenciar. Mas quem liga? Metade das televisões do Brasil está sintonizada na Globo? Mas quem está prestando atenção na TV ligada? Em uma casa, as criancinhas estão no colo da vovó. Em outra, os moradores estão abaixados, com medo de alguma bala perdida devido ao confronto entre as milícias e o narcotráfico. No boteco, ninguém presta atenção no telão dependurado na parede. Querem beber cerveja. As vovós, o Comando Vermelho, e a cerveja, são instituições mais fortes que o CFR… Acho que finalmente, consegui entender a perplexidade que sempre acometeu os supostos protagonistas da História, perante o seu desenrolar real. Falo da chamada “elite pensante”, e dos “grupos de influência”, sejam políticos, militares, ou não governamentais. Agora, no Brasil, tivemos mais um exemplo com essas manifestações. Os “verdadeiros protagonistas da história” não conseguiram prever que um milhão de pessoas sairiam à rua! Uma piada!
    A mídia ocidental está difundindo uma ideologia globalista? Pode ser, mas ao mesmo tempo os programadores e editores precisam seguir as preferências indicadas pelas pesquisas do IBOPE. É o que o povo quer! Temos que manter a audiência, e a tiragem do nosso jornal! Menos política, mais sexo, e crimes!
    Os indivíduos são mais influenciados por aquilo que diz (ou deixa de dizer ) o padre e o pastor do seu bairro. Ou o vizinho. Mas e o Obama, Alexandre Duguin, Putin, George Soros, Angela Merkel? Quem são eles? Jogam no Flamengo? São cantores do sertanejo universitário?
    Mas e Hitler, e o partido nazista? O povo alemão, sentindo-se uma raça superior, elegeu-o e comandou: conquiste o mundo, e extermine as “raças inferiores”. Lenin? Os russos mandaram: fuzile toda a aristocracia pretensiosa, mergulhada no ócio. Mas e a Revolução Francesa, o comunismo, a Escola de Frankfurt? Voltaire! Diderot! Montesquieu! Marx! Felix Weil! Lucács! Criem teorias para que nós, burgueses cultos, comandemos o mundo! E hoje, a burguesia culta controla metade do mundo! Maio de 1968? Filho, vá para a escola, faça o que o professor manda, e não me encha o saco! Estou tentando ficar rico! Vivemos uma era de prosperidade!
    Obama? Metade dos seus eleitores não quer trabalhar. Mas não foi ele quem mandou que fossem preguiçosos… A outra metade quer implantar uma utopia igualitária. São os eleitores democratas. Mas quantos, na realidade, não votaram nele, por sentirem remorso porque seus bisavôs chicotearam escravos negros em suas fazendas? Quanta ideologia! Quanto controle social!
    Mas o Islã, não controla seus afiliados crentes? Controla? Quem poderá saber se um grupo de militantes sunitas irá explodir uma sinagoga, uma igreja cristã, ou um templo xiita? Ninguém, somente os militantes… Por isso, o mundo islâmico é um caos! O Islã não quer controlar a Europa? Sim, quer. Mas os europeus preguiçosos, que não querem lavar a própria privada, ou colocar eles mesmos o lixo na calçada, estão enchendo a Europa de muçulmanos! Da mesma forma, se encherem a Europa de esquimós, o continente se tornará… esquimó!
    Edward Bernays e a “Engenharia do Consentimento”? Bernays! Nós, americanos, somos uma civilização consumista, pretensiosa, mas esforçada! Dê-nos a Feira Mundial de Nova York, em 1939!
    Em seu próprio tratado, Bernays recomenda que se estude o público que vai ser “conduzido” por uma campanha. Conduzido? Bernays! Diga as coisas que queremos ouvir, nós mandamos em você!
    O cidadão comum não é manipulado pelos líderes. Ele os cria, para atender às suas demandas! Quantos daqueles italianos que aplaudiam Mussolini durante seus discursos, não gritaram de satisfação quando o viram dependurado pelo tornozelo, ao lado de Clara Petacci? Mussolini! Nós obedeceremos, mas cumpra aquilo que prometeu! Cumpra aquilo que queremos! Queremos o Império de volta!

  4. Esses protestos foram fomentados e organizados – pela internet “espontaneamente” kkkkk – pelos movimentos da plataforma 15M (MPL, Anonymous, DRY, Fora do Eixo, etc), todos “apartidários”, mas com forte ligação aos partidos socialistas extremistas (todos ligados ao Foro de SP). Irônico, não?! O problema dos brasileiros é que sofrem de amnésia… Que tal relembrar os acontecidos na Espanha, em 2011? Nunca o globalismo, integração regional e construtivismo fizeram tanto sentido prático pras bandas de cá!

  5. Foram esses malucos que mandaram a minha vizinha de 50 anos de idade sair carregando uma placa em uma passeata aqui na minha cidade, onde estava escrito “FORA DILMA!”? Ao lado dela, estavam duas patricinhas carregando um cartaz escrito “GOVERNO LADRÃO!”. Falando em Espanha, lá existem fortes movimentos SEPARATISTAS, que no fundo, no fundo, pregam o retorno quase que à Espanha Medieval, só que com estados democráticos independentes… Mas estes movimentos não recebem visibilidade na mídia. E existem em outros países, também. Na Itália, por exemplo! Globalismo? Coitados! Foro de São Paulo? Sua agenda poderá se concretizar em republiquetas bananeiras aqui da América do Sul. Mas fale em Foro de São Paulo no Chile! Na Argentina, o “couro está comendo”. É claro que estas forças precisam ser combatidas, mas não são tão poderosas assim.

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