Violência pacifista

A ideologia do pacifismo visa desarmar moral e psicologicamente as pessoas deixando-as sem defesas diante do avanço destrutivo sobre as estruturas sociais. O pacifismo pode se manifestar em uma retórica que age sobre a psique para preparar pessoas à aceitação ou que abrem o caminho para a perda de critérios morais deixando o indivíduo indefeso diante da sugestão da sua própria ruína.

As maiores barreiras enfrentadas por esta ideologia são ideias oriundas de tradições como as doutrinas religiosas tradicionais ainda muito arraigadas na consciência coletiva. Outro exemplo disso é a cultura militar que possui a mesma tradição de valores em todo o Ocidente. Por este motivo que desde 2012 as Nações Unidas recomendam o fim da separação entre polícia militar e civil em países como o Brasil.

O pacifismo nasce alegadamente da perplexidade diante dos horrores da guerra, o que em si já explica o trauma anti-militar. No Brasil, a história do regime militar ajuda em muito para que estas ideias da ONU tenham profunda penetração nos meios acadêmicos e na imprensa. Mas a tradição militar é a única defesa que os povos possuem contra a invasão política e jurídica de suas fronteiras. Invasão esta que está entre os objetivos de órgãos como a ONU.

Pode parecer óbvio para muita gente e até tedioso, mas uma comprovação da obediência de setores da esquerda, meio acadêmico e imprensa aos ditames da ONU se faz necessária para o registro dos fatos que demonstram o processo de invasão e destruição das fronteiras por parte da ONU que, em nome do pacifismo perpetra a maior das violências contra os povos: a modificação desde instituições até estruturas sociais pra anestesiar países inteiros e coloca-los em uma situação de auto-destruição apática e servil.

Em maio de 2012 a Folha de São Paulo publicou a notícia “Países da ONU recomendam o fim da Polícia Militar no Brasil”. A matéria começa com a seguinte declaração: “O Conselho de Direitos Humanos da ONU pediu ao Brasil maiores esforços para combater a atividade de ‘esquadrões da morte’ e que trabalhe para suprimir a Polícia Civil, acusada de assassinatos”.

Essas recomendações fazem parte de algo chamado Exame Periódico Universal que, como a megalomania do nome sugere, se trata de uma espécie de check up global ao qual são submetidos todos os países do planeta.

No caso da recomendação ao Brasil, veio da Dinamarca, da Coréia do Sul e Austrália, que sugeriram aos estados brasileiros a aplicação de programas como as Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs) a exemplo do Rio. Das ideias propostas pelas delegações, Paraguai, Argentina e França recomendaram ao Brasil maior empenho nas “comissões em busca da verdade” para apurar os crimes da ditadura. Outro consenso entre as delegações sobre o Brasil é sobre o sistema penitenciário, cujo maior problema a ser enfrentado é a superlotação e condições das mulheres, abusos etc.

É assim mesmo. Todos se reúnem para dar palpite e decidir a vida do Brasil, certos de que o nosso governo vai mover todos os esforços para cumprir as ordens vindas do Grande Irmão. O fato é que passados alguns poucos anos eles não têm se decepcionado com o servilismo do governo e da mídia do país governado pelo PT.

Mas na onda da ONU entram também os militantes universitários. Segundo uma matéria do site Causa Operária, “Até a ONU pede o fim da PM”, como quem diz que até o clubinho dos países imperialistas (como eles vêem a ONU) é contra o militarismo. Fazem de conta que o dinheiro das suas esquerdices não vem dos globalistas fabianos cujo espírito, no Brasil, se hospeda no corpo de Fernando Henrique Cardoso.

O principal argumento de quem quer o fim da PM é que ela mata mais do que prende. A matéria do Causa Operária nos diz: “A PM paulista possui um índice de prisões por morte 108 vezes maior que a norte-americana. Enquanto, no Brasil, para cada 348 pessoas presas, houve uma morte por policiais em 2008, nos Estados Unidos, a Polícia prendeu mais de 37 mil pessoas para cada morte”. As mortes de bandidos são realmente terríveis, mas a preocupação parece se direcionar aos supostos inocentes. Se é preciso que ela mate menos, a lógica é extingui-la. Mas se o fim da PM levaria a menos mortes, será mesmo que isso implicaria necessariamente em mais prisões? Gente como a deputada Maria do Rosário, por exemplo, não me parece muito preocupada com a falta de prisões e sim com a morte de bandidos.

O fato é que nada disso funcionará se a ideologia do pacifismo não for inoculada nas mentes das pessoas. A mídia todos os dias traz um escândalo em que a polícia militar mata ou maltrata alguém seja pelo que for. Recentemente, o Diário Catarinense, em SC, insistiu em inúmeras reportagens sobre a morte acidental de um surfista pela polícia. Não se trata de justificar a ação da polícia neste caso, mas de lembrar que as mortes causadas pela criminalidade nunca recebem tamanha atenção desta mídia.

Não há mais como esconder que, passados somente três anos, toda a imprensa brasileira abraçou o fim da PM como verdadeira campanha nacional. Portanto podemos observar que o Exame Periódico Universal não age somente sobre os pontos que sugere, como segurança, infraestrutura, justiça, mas também sobre a mídia, que encampa de livre e espontânea vontade a oportunidade de realizar o grande sonho estimulado na universidade: o de ser um instrumento para a mudança e transformação social, a construção de um mundo melhor. Até que venha a regulamentação da mídia para tirá-los da espontaneidade e colocá-la nesta missão com as devidas algemas que tanto desejam.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s