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Qual a real função de uma manifestação?

15marO alvo prioritário de qualquer ato público é, em todas as situações, a mídia. Isso porque é por meio dela que o governo ou líderes políticos irão tomar conhecimento das reivindicações.

Na década de 1920, Edward Bernays combinou com algumas debutantes que elas iriam juntas acender cigarros e fumar em um determinado local público. Ao mesmo tempo, despachou cartas aos jornais da cidade dizendo que haveria um protesto pelos direitos das mulheres. Evidentemente, as debutantes nada tinham a ver com isso. Mas os jornais correram para a praça pública e as cenas das jovens adolescentes fumando cigarros ganharam as capas da maioria dos jornais no dia seguinte. Bernays trabalhava para uma companhia de cigarros que pretendia aumentar as vendas, já que na época não era comum as mulheres fumarem.

Isso mostra como o papel da imprensa é até mais importante do que o do governo que vai fazer as mudanças reivindicadas. A imagem pública dos manifestantes é um fator essencial para a efetividade do conjunto da mensagem que deseja passar, tanto para o governo quanto para o restante da população. Afinal, aquelas pessoas que não foram protestar saberão tudo por meio dos jornais, TV, internet. E é por ali que formarão a sua opinião sobre as demandas dos atos públicos.

A função de uma manifestação, portanto, é mudar o entendimento do público sobre um ou mais tópicos públicos, forçando assim a classe política a tomar uma posição favorável a esse entendimento que o público terá. Isso só pode ser feito através do único canal que ambos utilizam para se informar: a mídia.

Isso quer dizer que todo o conteúdo gerado pelos manifestantes deve responder a pelo menos dois critérios básicos: à capacidade de compreensão dos jornalistas (levando em conta seu horizonte de consciência e percepção) e às normas editoriais, isto é, às condições profissionais dos veículos como tempo, legibilidade, disponibilidade, visibilidade, etc. Afinal, é necessário que os jornalistas além de compreenderem as mensagens, as possam publicar com efetividade e em tempo hábil.

O noticiário internacional também é alvo de manifestações, ainda mais quando vivemos em um continente dominado por uma facção continental de esquerda como o Foro de São Paulo. É necessário que outros países compreendam o que de fato está acontecendo em nosso país. Para isso, é importante observar de que modo eles vêem o Brasil e como alguns atos  podem reforçar ou contrariar a imagem que eles têm, vendo assim qual das duas opções é preferível para a causa em questão.

Se a imagem de um país constantemente em festa (como é costume) irá dispersar a seriedade do que está ocorrendo, é possível que se possa utilizar justamente este fator como elemento contraditório. Como, no país do carnaval, algo de repente tão sério acontece? Ou explorar a consequência moral do clima de festa, demonstrando que o país talvez esteja vivendo um inferno astral por conta disso e, com isso, chamar a atenção para o perigo dos governos que se utilizam do divertimento “pão e circo” para ludibriar suas populações. Isso é apenas um exemplo.

Mas a maior efetividade de um protesto está na mídia nacional, que vai formar no público a imagem do problema, da classe política e das soluções propostas, se houverem. A melhor manifestação, porém, não é aquela que oferece soluções claras, mas aquela que procura estabelecer a imagem mais realista possível do problema àquela parte da população que não tem o mesmo acesso às informações. Para isso, o canal da mídia deve ser estudado para evitar falsas impressões.

Mas para atacar verdadeiramente o problema, é necessário que os grupos envolvidos evitem dispersar em causas menores (ou infinitamente mais abrangentes, como a corrupção, etc), que por sua ingenuidade acabam passando ao público e à imprensa uma imagem tacanha e pouco efetiva. Se centenas de pessoas fossem às ruas para pedir o fim da calúnia e difamação, é provável que os jornais lhes dessem alguma atenção. Mas ficaria tão evidente a ingenuidade da demanda, que provavelmente as notícias sobre isso nem mesmo seriam lidas. Além do fato de que causas muito amplas podem ser aproveitadas por um maior número de causas cujos militantes estejam mais preparados para utilizá-las.

O mais importante nestes casos é saber reconhecer o quanto da mídia se tem sob controle, se pode de fato controlar a abordagem. É comum que se tenha uma visão um tanto otimista e até megalomaníaca em relação ao poder de influenciar a mídia. Isso acontece muito em movimentos políticos de direita.

É cada vez mais recomendável que estes movimentos tenham suas próprias agências de assessoria de imprensa improvisadas e que possam gerar conteúdo tão bons quanto os da mídia, de modo que ela se sinta tentada a utilizá-los para economizar tempo e trabalho. Ajudar a mídia a falar de você é o melhor caminho para que ela diga o que você quer que ela diga. Quem sabe até por algum senso de gratidão.

Outro caminho é gerar o medo na grande mídia. Pode ser essencial em determinada situações. Mas isso depende muito, como falamos, do nível de consciência que um movimento tem do seu poder de influenciar. A análise constante das notícias é uma arma importante para saber o que, de fato, os jornalistas sabem e a que espectro político eles pertencem. Isso ajuda a escolher os conteúdos, promover armadilhas e desmoralizar o trabalho da imprensa. Isso é bastante arriscado quando não se tem informação suficiente. É preciso saber muito mais do que a mídia e felizmente no Brasil isso não é tão difícil.

O trabalho mais importante na direção de ter um número eficiente de pessoas para qualquer manifestação é o esclarecimento. Ninguém deve ir a uma manifestação como idiota útil. Isso foi feito durante décadas pelos movimentos de esquerda e não pode nunca mais ser repetido. É preciso que as pessoas conheçam contra o que estão lutando e saibam dos perigos, pois só assim haverá um público realmente corajoso para enfrentar o que surgir pela frente.

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Por que a Igreja Católica é o maior obstáculo à Nova Ordem Mundial

Os utopistas da Nova Ordem Mundial odeiam o Cristianismo como um todo, cujos princípios sempre serão opostos ao poder infinito do globalismo. No entanto, do ponto de vista jurídico, a Igreja Católica é o maior obstáculo ao poder globalista por pelo menos dois grandes motivos:
1) Base espiritual: Trata-se de uma instituição milenar de caráter espiritual e portanto importante coluna do direito natural no ocidente, fator essencialmente limitador de poder;
2) Soberania jurídica: Tem sede no Vaticano, um estado nacional soberano, cujos princípios influenciam o mundo de dentro para fora, mas nada a pode influenciar de fora por conta dessa soberania.
Estratégia
Uma das estratégias globalistas mais clássicas consiste na superexposição da Igreja e de sua organização de modo a enfatizar contradições e as tensões existentes ou não com o contexto mundial (contexto este que deve ser construído por eles), para assim gerar uma falsa necessidade de interferência do mundo nas questões internas da Igreja.
Walter Lippman, assim como muitos outros teóricos de mídia e de sociologia, chamava a atenção para a existência do que chamava de “pseudo-ambiente”, isto é, um contexto construído especialmente para servir de justificativa para ações efetivas e mudanças drásticas na estrutura do tecido social. Aqui podemos interpretar o pseudo-ambiente como a função de premissa, já que não precisa ser exatamente uma descrição contextual clara, mas manifestar-se em um questionamento que passe a ideia de ser representativo da humanidade e fazer as vezes de uma questão universal e candente.
É evidente que tudo o que se publica jornalisticamente sobre o Papa e a Igreja tem esse objetivo e o Vaticano sabe disso.  Embora em muitos casos a Igreja acredite (estando certa ou errada) conseguir aproveitar-se dessa exposição vendo nela uma oportunidade de levar sua mensagem ao mundo, o fato é que a premissa dessa exposição global está presente nos dois casos, ou seja, os agentes desta exposição dificilmente são os membros da Igreja, mas a mídia submissa ao globalismo. Já que a Igreja não detém eficientemente os meios de controlar o fluxo de exposição, tampouco o viés dos produtos midiáticos, resta a ela responder às questões levantadas pela mídia utilizando-se muitas vezes de premissas fornecidas pelo agente causador da exposição. A resposta da Igreja normalmente nem precisa ser distorcida pelos jornalistas, pois o fato da pergunta já é suficientemente um fator de subjugação da Igreja ao julgamento mundano, o que já caracteriza uma inversão profunda e imperceptível de valores no grosso da audiência. Claro que a situação se complica ainda mais quando até mesmo o próprio Papa parece raciocinar nos termos midiáticos e aparentemente apressar-se a responder e com isso reforçar uma postura de submissão avessa à verdade da fé cristã e da noção de autoridade (dependência exclusiva do Autor da vida). Isso não é uma exclusividade do Papa Francisco, mas o resultado de uma postura que a Igreja tomou há tempos, o que nos parece algo carregado de erros e de aparente ingenuidade, queremos crer.

 

Por outro lado, se há outra alternativa à Igreja a não ser responder às questões levantadas, dada a situação de impotência diante do colossal poder da grande mídia globalista, não nos caberia indicar, já que compreender o problema me parece o primeiro passo de qualquer tentativa de resolvê-lo. Isso nos deve auxiliar principalmente no julgamento e interpretação das notícias sobre a Igreja, o que deve ser feito levando em consideração seus efeitos e, portanto, seu agente, conforme um simples exercício de associação baseado na pergunta: a quem isso ajuda? Se ajuda aos globalistas e seu poder sobre as mídias já é atestado, claramente se trata de uma ação orquestrada para este fim. E sobre isso há bastante informação disponível que ateste a incrível capacidade das instituições e entidades globalistas de controlar os meios de comunicação. Basta ver o meu artigo sobre o Project Syndicate.

Exemplos temos em demasia. O primeiro deles e mais óbvio são as acusações de pedofilia na Igreja. É sabido que casos reais existem e devem ser combatidos. No entanto, é um traço típico da mentalidade dos meros consumidores de notícias não atentar-se para o contexto em que essas denúncias surgem ou de quem elas vêm. Em um mundo hiper-sexualizado, onde todas as taras sexuais, incluindo homossexualismo, pedofilia, necrofilia, zoofilia, já contam com entidades de defesa e proselitismo sexual vindo da própria ONU e UNESCO, onde a educação sexualizante para crianças tem sido empurrada goela abaixo de todos os países do mundo, nos parece bastante estranho que os mesmos agentes promotores destas obscenidades tentem colocar a Igreja Católica no centro do problema das taras sexuais. Trata-se de uma forma ardilosa de gerar uma falsa necessidade de o mundo fiscalizar a Igreja e sua estrutura, além, é claro, de distrair o mundo dos infindáveis escândalos de pedofilia na própria ONU que são denunciados pelo mundo a fora e superam em muito os da Igreja.

Embora este tipo de assédio jurídico-midiático ocorra com todos os estados nacionais, o Vaticano é o alvo prioritário, por ser o repositório ocidental do que chamamos de direito natural, isto é, a base jurídica que nos permite julgar se uma lei é justa ou injusta, por carregar valores pré-jurídicos. O caso da pedofilia na Igreja esconde ainda uma agenda dupla que é a questão do celibato clerical, algo odiado e cada vez menos compreendido, mas muito mais por força de uma contextualização construída e aceita pela maioria, na qual o ponto mais alto da satisfação humana está na sexualidade e na realização dos desejos. Desejos estes que, para os fins do direito positivo da Nova Ordem Mundial, devem servir de matriz às reivindicações de mais direitos. Só assim, o que se conhece como direito pode ganhar um caráter subjetivo, um passo importante na direção da relativização do direito e, portanto, no sepultamento dos conceitos universais. Afinal, sendo o homem escravo dos próprios desejos, toda a força dispendida à sua realização irá inevitavelmente na mesma direção de conceder aos legisladores mais e mais poder para que garantam seus direitos. Uma artimanha tão velha quanto letal.

Outro exemplo muito claro é a cobertura e a atenção dada pela mídia ao Sínodo dos Bispos, cujo tema foi a família. A expectativa da grande mídia coincide com agendas da ala modernista da Igreja, como a comunhão de recasados (no fundo, mirando no dogma da indissolubilidade do casamento) e a aceitação de uniões entre pessoas do mesmo sexo, o que pressupõe, de fundo, a relativização do conceito de família como algo universal e independente de convenções sociais ou culturais. O maior obstáculo a estas causas é, novamente, o direito natural que, longe de ser um simples paradigma jurídico, é a base sobre a qual se construiu a noção mesma de direito e de democracia ocidentais.

Como vemos, não é possível julgar as notícias pelo seu conteúdo mas pela agenda que ela atende. Muito embora fatos expostos tenham um fundo de verdade, a verdade maior está na malícia dos difusores da informação e não na informação em si. Informações são uma parte muito pequena de uma notícia. O seu miolo, isto é, a sua alma é a intencionalidade, seja de informar ou transformar, dada a amplitude dos efeitos que advém da difusão dos fatos. Afinal, inevitavelmente a difusão de fatos gera novos fatos. Quem controla a difusão evidentemente detém uma parte importante do poder de interpretação sobre os novos fatos gerados.

Há verdade por trás de um estereótipo?

Walter Lippmann (1889-1974) escreveu sobre o estereótipo no livro Opinião Pública, de 1922. Ali ele fala sobre como este artifício jornalístico é uma eficiente técnica comunicativa, embora saibamos que em muitos casos pode ser utilizado como arma de guerra cultural.

A foto de um general fardado diante de um mapa postado na parede serviu muito bem em uma reportagem durante a Segunda Guerra Mundial para ilustrar a entrevista sobre estratégia militar concedida ao jornal. É claro que os jornalistas “forjaram” esta situação, pedindo que o general tirasse a foto diante do mapa na parede ao invés de no seu gabinete, o que daria uma ideia de que o general falava cinicamente a partir do conforto de seu gabinete enquanto jovens davam suas vidas pelo país muito distante dali. Este é um exemplo do uso de estereótipo no jornalismo, servindo tanto para informar mais rapidamente, pois a imagem ajuda na identificação do assunto e do personagem, como para evitar estereótipos falsos que distrairiam a comunicação de seu objetivo informativo.

O problema é quando o jornalismo se utiliza disso para construir uma caricatura com objetivo de denegrir alguém. No entanto é importante lembrarmos que algumas caricaturas são resumos ideais para personalidades reais que por definição são bem mais complexas. A caricatura é originalmente um meio de salientar características presentes em alguém, grupo ou classe ou numa ideia. Mas pode muito bem ser representado erroneamente de propósito. Então como estabelecer uma diferença?

Como qualquer registro da realidade, um texto se utiliza de dois elementos para ser escrito: elementos seletivos e construtivos. Seletivos são os que levaram o jornalista ou autor a escolher aquele objeto, selecionar ele no meio do caos da realidade. A escolha pode ser feita com base em elementos presentes que podem ser, por sua vez, também selecionados no objeto para ser descritos. Os construtivos dizem respeito ao modo como o autor vai descrever esses elementos previamente selecionados. O elemento construtivo é a parte criativa, que dá margem à ficção irreal ou à ficção real, poética, humorística, etc. Como eu disse, nem toda criação ficcional no jornalismo (ou relato pretensamente real) é mentiroso.

Esses dois elementos e suas potencialidades são muitas vezes observados pelos jornalistas e servem de critério de seleção para objetos. Há, portanto, meios de direcionar a abordagem jornalística através daquilo que chama a atenção do repórter, levando-o a escolher esta ou aquela fonte para determinado assunto.

Lembrando sempre que se o jornal fez uma caricatura de você, não aprece-se a denunciar manipulação sem antes observar se a caricatura feita não é de fato a maneira mais realista de descrevê-lo.

O estereótipo é uma técnica, uma foma sintética de descrição, que pode usar humor ou fantasia baseadas numa analogia mais ou menos realista. Estereotipar demais uma realidade cuja complexidade é importante para a compreensão séria, é e sempre será manipulação tendenciosa e maliciosa. Quando inexiste no autor ou jornalista qualquer código moral, tudo pode ser estereotipado pois nada é essencialmente sério ao ponto de ser referenciado à sua complexidade ou seriedade.

Por outro lado, isso não quer dizer que o estereótipo não é algo sério. Estereotipar alguém como tirano cuja maldade se esconde por meio de abordagens excessivamente compreensivistas pode ser um dever moral. Nenhum ser humano pode ser descrito em si mesmo como um estereótipo. No entanto, são incontáveis aqueles que podem sê-lo por questões inerentes à própria personalidade. Assim, um estereótipo pode ser “criado” simplesmente por meio da reflexão da complexidade de uma personalidade.