Arquivo da categoria: Liberdade

O fantasma militar-policial e os obstáculos à inteligência brasileira

NOTA: Talvez este artigo soe inoportuno. Em uma época dominada pela esquerda, pode parecer impróprio criticar um pensamento tipicamente de direita, mas é antevendo o uso das fragilidades da mentalidade brasileira pela esquerda que arremeto contra o chavão, inimigo numero um da inteligência de qualquer cor.

Que brasileiro nunca disse ou no mínimo ouviu repetirem que todo político é bandido e que bandido bom é bandido morto. Parece que desde Floriano Peixoto, que fuzilou centenas de opositores, estas frases estão impressas na alma do brasileiro. É possível que a partir da Proclamação da República o brasileiro tenha desenvolvido uma adoração pela força bruta institucional, especialmente quando se trata da do braço forte e mão amiga das FFAA, força policial ou estatal por meio dos santos tentáculos do Poder Judiciário. Embora isso possa estar adormecido por décadas de antimilitarismo e ideologias anti policiais expressas pela mídia esquerdista, essas ideias aparecem de modo permanente na cultura brasileira.

A ideologia policial é o pensamento mais característico no Brasil. Manifesta-se em frases feitas e chavões que têm em comum um certo purismo moral, não raro aplicado seletivamente. Estes pensamentos aparecem de modo caótico no senso comum espalhados pelo país, movidos por uma sensação geral de injustiça. É como uma força quase física que atua no território nacional empurrando cada consciência a ignorar toda reflexão e sucumbir à lógica aparentemente irresistível dos lugares comuns.

Toda incomodidade diante da tensão entre oposições que geram alguma complexidade parece ser aliviada pela repetição dos chavões policialescos, onde o anseio punitivo parece manter certa coesão das personalidades. A sensação de injustiça, impunidade, é remediada pela convicção e certeza do funcionamento das instituições nacionais.

A ideologia policialesca brasileira é estatista em sua base. Possui brutal confiança no aparato jurídico e da aplicação da lei como garantia de realização da utopia do progresso, do rumo certo ao desenvolvimento nacional, o que só se dará por meios essencialmente materiais, não sem o efeito catalizador da moralidade pública.

A corrupção, para o brasileiro, é o grande inimigo da nação. Um monstro que devora e impede o predestinado progresso.

Desde a campanha do “Petróleo é nosso”, passando pelo medo da cobiça estrangeira da Amazônia, até a novíssima faceta da redemocratização da Terceira República, culminando com a luta contra o monstro da inflação, a caça aos marajás, etc. A ascensão da esquerda só não foi e não será completa enquanto bater de frente com essa ideologia popular. E ai está o grande perigo. Uma esquerda policialesca e militarista poderá ser a nossa ruína.

O Brasil foge da sua própria imagem como o diabo da Cruz. Nega a realidade da sua herança portuguesa na cultura ao passo que a vive e revive nos piores detalhes da política. Raymundo Faoro, no clássico da sociologia brasileira Os donos do poder, faz um diagnóstico incrivelmente realista da estrutura mental do brasileiro ao remontar à origem do estado português, no qual a ligação entre os reis e a terra fazia da sociedade um imenso rebanho de súditos fiéis. O paternalismo estatal é herdeiro da fidelidade monárquica que, embora o período imperial tenha tentado dissolver em um parlamentarismo, acabou se potencializando ao longo da República da Espada, a Velha, a Nova, a Terceira…

Todo o paternalismo republicano brasileiro vem do direito divino dos reis, que nos foi legado tão fortemente, justo por nunca ter sido vencido ou mesmo combatido no campo das idéias (campo aliás sem nenhuma tradição no país). O resultado é uma espécie de superstição estatista, na qual o poder é tanto mais venerado quanto mais desconhecida a sua origem. Perdida nos labirintos da história mental do Brasil, o poder que esteve tradicionalmente ligado á propriedade é alienado para a posse total do país e o culto revertido aos donos do poder encastelados no trono da alma brasileira.

A grande fonte de confusão política no Brasil parece ser a dúvida silenciosa: afinal, a quem pertence o país por direito? Os populistas e os oligarcas tentaram substituir o velho direito dos reis expropriados. A neurótica vontade de inventar o futuro por meio da ideologia do progresso parece ter sido o fruto dessa culpa por termos exilado o passado e, com ele, o Brasil de si mesmo. O Brasil é um país que nega e foge de si, a começar pela alegria do carnaval que tenta esconder a nossa natural tristeza portuguesa. Enquanto a beleza da herança cultural é negada, a consequência política dela permanece neurotizadamente presente.

Mas a visão do estado e do bem comum tornou-se supersticiosa e puritana. O político tornou-se aos poucos o símbolo da ineficácia e da corrupção. Com ele, a política, o debate e a própria inteligência. Assim, independe qualquer esforço de conciliação, pois embora o pragmatismo tenha sido o nosso poder moderador de acordo com Paulo Mercadante, permanece a rude revolta em favor do rei absoluto no subsolo moral de nossa consciência. E nesta, um puritanismo moralizante e autoritário tem lugar de teologia política, um sentimento de justiça a qualquer custo.

Uma vertente deste pensamento que coloca o mal no objeto e não na mão que o maneja, é aquele que busca contrapor-se ao demonizar o homem. O erro é o mesmo da superstição que vê no errante o erro, no pecado o demônio, no gato o azar. E por fim, no político vê a corrupção em forma de gente. Ou ainda no bandido individual vê toda a criminalidade que deve ser extirpada. A execução é a resposta mais óbvia para este tipo de lógica.

É ai que encontra paralelos assustadores com a mentalidade revolucionária. Embora os comunistas tenham no mundo se travestido de pacifistas e militantes de direitos humanos, seu intuito é e sempre será sanguinário. Mas o direitista brasileiro pode acabar optando pela via do fascismo stalinista sem perceber, como resposta ao disfarce pacifista dos nacional-socialistas do PT.

Na dúvida, clama pelas Forças Armadas, intervenção militar. Para isso, clama em caixa alta, em gritos e palavras de ordem. Ordem e progresso. O policialesco brasileiro não ama a sociedade brasileira, mas tudo aquilo que historicamente tentou se passar por ela. É isso que vê nas cores verde e amarelo.

Foi esta bandeira verde e amarela que exilou o Imperador e instituiu o golpe da República a partir de uma ditadura militarista que executou inimigos e por pouco não decapitou o próprio Dom Pedro como na França, é o que gostaria de ter feito o jacobino Floriano Peixoto. Não foi a mesma bandeira cultuada antes, aquela cujo verde representa a casa dos Bragança e o amarelo, os Habsburgo. O estado brasileiro precisou exorcizar a sua origem para poder reconstruir uma sociedade à sua imagem e semelhança.

A pior e mais atual consequência desta ideologia é a aposta nas instituições e na insistência em colocar todas as soluções nas mãos do estado, cujo instrumento para efetivá-las só pode ser a reunião de mais poderes. O nacionalismo, dizia Lênin, embora inimigo do socialismo, reúne incrível “reserva de energia revolucionária”, que pode ser usada quando for necessário. Mesmo que o nacionalismo brasileiro no fundo não exista, essa caricatura de nacionalismo com cores militaristas e estatistas, sempre foi suficiente para a submissão da sociedade aos que usurparam o poder. Não podemos esperar outra coisa de um país que foi erguido em gabinete.

Se não gostamos de socialistas que defendem bandidos utilizando os direitos humanos, não vamos querer estar aí para vermos os socialistas militaristas e policialescos colocando políticos nos paredões mais sanguinários em nome da soberania nacional, do estado forte e da mão amiga.

Anúncios

Regime ateu da Coréia do Norte é o país que mais persegue cristãos

Entre os 10 países que mais perseguem cristãos, há ditaduras atéias e regimes teocráticos islâmicos. Mesmo em países onde os cristãos não são perseguidos pelo governo, há perseguição por parte de seitas radicais e grupos paramilitares que cometem atentados terroristas a igrejas todos os dias. Continuar lendo Regime ateu da Coréia do Norte é o país que mais persegue cristãos

Cubanização da Ilha

Na ilha de Fidel, a propriedade serve a uma função social e quem arrogar-se dono de algum imóvel é automaticamente um inimigo do povo.

Cristian Derosa
Jornal Ilha Capital, junho de 2011

O incêndio do casarão da rua Victor Konder, no centro de Florianópolis (SC), ocorrido no mês de maio, pôs em discussão uma questão polêmica, um problema antigo que assola muitas cidades do país e que, ao que parece, chegou para ficar. A casa, que estava sendo invadida por moradores de rua que freqüentavam o local já há tempos, foi consumida rapidamente pelo fogo pois havia combustível, papéis, roupas velhas, etc. Continuar lendo Cubanização da Ilha

1888 | Os 123 anos da Lei Áurea

Em 13 de maio de 1888, a princesa Isabel assinava a Lei Áurea, pondo fim à escravidão no Brasil.

Sancionada pelo chamado “Gabinete de 10 de março”, formado pelo Conselheiro Rodrigo Augusto da Silva* e presidido por João Alfredo Correia de Oliveira, do Partido Conservador, a lei foi o ápice de um processo que vinha desde 1850, com a Lei Eusébio de Queirós, que proibia o intercâmbio de escravos, seguida, em 1871 pela Lei do Ventre Livre e, em 1885, com a Lei dos Sexagenários, que libertava escravos com mais de 60 anos.

A Lei Áurea foi apresentada pelo ministro Rodrigo A. da Silva, dois dias antes quando começou a ser debatida no Senado. Foi votada, aprovada e encaminhada para a assinatura da princesa Isabel no mesmo dia 13 de maio.

Conselheiro Rodrigo Augusto da Silva

(*) Conselheiro Rodrigo Augusto da Silva, autor da Lei Áurea, era presidente do Partido Conservador. Seu pai, o Barão do Tietê, também foi lider dos conservadores e sei sogro foi o senador Eusébio de Queirós, autor da lei que proibia o comércio de escravos.


Asia Bibi passa o Dia das Mães na solidão, entre a dor e a esperança

A suas condição psicológica oscila entre o desespero e a dor da vida de uma pessoa inocente presa, e a oração que a induz a confiar sempre na Providência de Deus.

A sua condição psicológica oscila entre o desespero e a dor da vida de uma pessoa inocente presa, e a oração que a induz a confiar sempre na Providência de Deus.

AGÊNCIA FIDES | A dor de uma mãe que não pode abraçar seus filhos, a oração e a confiança em Deus na esperança da salvação e da liberdade: com estes sentimentos, Asia Bibi – a cristã paquistanesa condenada à morte injustamente por blasfémia – viveu o Dia das Mães, que se celebrou no passado domingo, 8 de maio, em todo o mundo.

Segundo informou a “Masihi Foundation”, que se ocupa da assistência legal à mulher e da proteção de sua família, Asia recebeu nos dias passados a visita de sua filha menor (Eshum, 10 anos), que lhe levou, com um ramo de flores, o abraço e o carinho de todos os irmãos. Foi um momento comovente e Asia viveu o encontro em lágrimas.

Nestes dias, ela sente fortemente a solidão e deseja ardentemente reunir-se com a família. Preocupa-a ainda outra situação: um de seus filhos, Imran Masih, está noivo e quer casar-se, mas deseja a presença da mãe na cerimónia.

A família de Asia continua sua vida protegida de olhares indiscretos, confiando no trabalho dos advogados. Por sua vez, Ásia recebeu nas semanas passadas os remédios para a cura de uma doença e depois do jejum quaresmal, voltou a alimentar-se. A suas condição psicológica oscila entre o desespero e a dor da vida de uma pessoa inocente presa, e a oração que a induz a confiar sempre na Providência de Deus.

A iniciativa do Dia Especial de oração para ela trouxe-lhe alento e deu-lhe coragem ao saber que muitas pessoas no mundo estão a rezar pela sua libertação.