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Qual a real função de uma manifestação?

15marO alvo prioritário de qualquer ato público é, em todas as situações, a mídia. Isso porque é por meio dela que o governo ou líderes políticos irão tomar conhecimento das reivindicações.

Na década de 1920, Edward Bernays combinou com algumas debutantes que elas iriam juntas acender cigarros e fumar em um determinado local público. Ao mesmo tempo, despachou cartas aos jornais da cidade dizendo que haveria um protesto pelos direitos das mulheres. Evidentemente, as debutantes nada tinham a ver com isso. Mas os jornais correram para a praça pública e as cenas das jovens adolescentes fumando cigarros ganharam as capas da maioria dos jornais no dia seguinte. Bernays trabalhava para uma companhia de cigarros que pretendia aumentar as vendas, já que na época não era comum as mulheres fumarem.

Isso mostra como o papel da imprensa é até mais importante do que o do governo que vai fazer as mudanças reivindicadas. A imagem pública dos manifestantes é um fator essencial para a efetividade do conjunto da mensagem que deseja passar, tanto para o governo quanto para o restante da população. Afinal, aquelas pessoas que não foram protestar saberão tudo por meio dos jornais, TV, internet. E é por ali que formarão a sua opinião sobre as demandas dos atos públicos.

A função de uma manifestação, portanto, é mudar o entendimento do público sobre um ou mais tópicos públicos, forçando assim a classe política a tomar uma posição favorável a esse entendimento que o público terá. Isso só pode ser feito através do único canal que ambos utilizam para se informar: a mídia.

Isso quer dizer que todo o conteúdo gerado pelos manifestantes deve responder a pelo menos dois critérios básicos: à capacidade de compreensão dos jornalistas (levando em conta seu horizonte de consciência e percepção) e às normas editoriais, isto é, às condições profissionais dos veículos como tempo, legibilidade, disponibilidade, visibilidade, etc. Afinal, é necessário que os jornalistas além de compreenderem as mensagens, as possam publicar com efetividade e em tempo hábil.

O noticiário internacional também é alvo de manifestações, ainda mais quando vivemos em um continente dominado por uma facção continental de esquerda como o Foro de São Paulo. É necessário que outros países compreendam o que de fato está acontecendo em nosso país. Para isso, é importante observar de que modo eles vêem o Brasil e como alguns atos  podem reforçar ou contrariar a imagem que eles têm, vendo assim qual das duas opções é preferível para a causa em questão.

Se a imagem de um país constantemente em festa (como é costume) irá dispersar a seriedade do que está ocorrendo, é possível que se possa utilizar justamente este fator como elemento contraditório. Como, no país do carnaval, algo de repente tão sério acontece? Ou explorar a consequência moral do clima de festa, demonstrando que o país talvez esteja vivendo um inferno astral por conta disso e, com isso, chamar a atenção para o perigo dos governos que se utilizam do divertimento “pão e circo” para ludibriar suas populações. Isso é apenas um exemplo.

Mas a maior efetividade de um protesto está na mídia nacional, que vai formar no público a imagem do problema, da classe política e das soluções propostas, se houverem. A melhor manifestação, porém, não é aquela que oferece soluções claras, mas aquela que procura estabelecer a imagem mais realista possível do problema àquela parte da população que não tem o mesmo acesso às informações. Para isso, o canal da mídia deve ser estudado para evitar falsas impressões.

Mas para atacar verdadeiramente o problema, é necessário que os grupos envolvidos evitem dispersar em causas menores (ou infinitamente mais abrangentes, como a corrupção, etc), que por sua ingenuidade acabam passando ao público e à imprensa uma imagem tacanha e pouco efetiva. Se centenas de pessoas fossem às ruas para pedir o fim da calúnia e difamação, é provável que os jornais lhes dessem alguma atenção. Mas ficaria tão evidente a ingenuidade da demanda, que provavelmente as notícias sobre isso nem mesmo seriam lidas. Além do fato de que causas muito amplas podem ser aproveitadas por um maior número de causas cujos militantes estejam mais preparados para utilizá-las.

O mais importante nestes casos é saber reconhecer o quanto da mídia se tem sob controle, se pode de fato controlar a abordagem. É comum que se tenha uma visão um tanto otimista e até megalomaníaca em relação ao poder de influenciar a mídia. Isso acontece muito em movimentos políticos de direita.

É cada vez mais recomendável que estes movimentos tenham suas próprias agências de assessoria de imprensa improvisadas e que possam gerar conteúdo tão bons quanto os da mídia, de modo que ela se sinta tentada a utilizá-los para economizar tempo e trabalho. Ajudar a mídia a falar de você é o melhor caminho para que ela diga o que você quer que ela diga. Quem sabe até por algum senso de gratidão.

Outro caminho é gerar o medo na grande mídia. Pode ser essencial em determinada situações. Mas isso depende muito, como falamos, do nível de consciência que um movimento tem do seu poder de influenciar. A análise constante das notícias é uma arma importante para saber o que, de fato, os jornalistas sabem e a que espectro político eles pertencem. Isso ajuda a escolher os conteúdos, promover armadilhas e desmoralizar o trabalho da imprensa. Isso é bastante arriscado quando não se tem informação suficiente. É preciso saber muito mais do que a mídia e felizmente no Brasil isso não é tão difícil.

O trabalho mais importante na direção de ter um número eficiente de pessoas para qualquer manifestação é o esclarecimento. Ninguém deve ir a uma manifestação como idiota útil. Isso foi feito durante décadas pelos movimentos de esquerda e não pode nunca mais ser repetido. É preciso que as pessoas conheçam contra o que estão lutando e saibam dos perigos, pois só assim haverá um público realmente corajoso para enfrentar o que surgir pela frente.

Eugenia: a administração total da multidão solitária

O consumismo não se apresenta somente como desejo por bens, mas também por direitos, privilégios e assistencialismo. Muito pior do que quaisquer tentações, a tentação deste consumismo alimenta um demônio bastante voraz: o governo. Do mesmo modo, o objeto de consumo dos governos tem sido o poder. Na mesma medida que o governo tenta o povo com promessas de direitos e assistencialismo, o povo assistido ou sedento, tenta o governo ao reivindicarem ainda mais assistência, oferecendo-lhe portanto mais poder.

Essa voracidade popular por direitos tem relação com o que David Reisman chamou de ‘geração alterdirigida’, isto é, uma geração insegura, solitária, carente e prepotente, que tanto mais quer direitos quanto maior o tamanho do vazio moral e espiritual que a civilização moderna o afundou. Esse vazio existencial, que pretende ser preenchido com direitos, tende a se aprofundar e precipitar o indivíduo em uma espiral de insatisfações aparentemente desconhecida pelo insatisfeito.

O desconhecimento do que aflige a multidão é um resultado, entre outras coisas, da perda da capacidade de dizer, de expressar o que sente. O vazio linguístico, no qual nada parece expressar coisa alguma, desenvolve apegos mágicos ou supersticiosos ao poder das palavras em si mesmas, resultando no que conhecemos como politicamente correto. Assim, virtudes ou vícios das pessoas são associados ao uso de determinadas palavras, como preconceito, diversidade, igualdade, democracia ou liberdade, entre tantas outras que podem surgir a qualquer momento, bastando que seja arbitrariamente associada com algo que evoque bons ou maus sentimentos.

É claro que estes sentimentos, que passaram a ser relacionados a palavras e expressões, são identificados por meras reações externas, constituindo muito mais um fingimento social ou afetação projetiva de um tipo de personalidade socialmente desejável. Estas personalidades desejáveis são fartamente oferecidas no mercado do consumo simbólico, aquele do qual o indivíduo vai dispor para formar sua auto-imagem.  E dentre estas personas escolhidas, há a oferta tentadora oferecida pelas agendas políticas chamada cidadania. O cidadão é, no fundo, o homem estatal, o amálgama coletivo que se faz um com o Leviatã, paródia do Reino de Deus, cujo antecedente pode estar nas consequências sociais da doutrinas da predestinação, para a qual o único compromisso do predestinado — já que sua salvação é garantida — é dar o exemplo, parecer santo e com isso incentivar a santidade no meio social de modo a aproximar o mundo ao Reino.

Sem expressividade própria, o que só poderia existir a partir do contato ininterrupto com gerações anteriores (o que denominamos tradição), qualquer sociedade se torna refém das categorias e classificações genéricas sobre ela mesma. Genéricas como cidadão. Afinal, a classificação dos homens só pode ser justificada pela necessidade administrativa, prerrogativa do estado.

Eis a ponte psicossocial entre a perda da identidade e a dissolução totalitária da cidadania. A sociedade que exige direitos e ao mesmo tempo uma administração sustentável, econômica, eficiente, clamará naturalmente à necessidade da própria eliminação por meio de controles populacionais cujos critérios variarão conforme, não o modismo cultural, mas as necessidades econômicas do governo.

Aborto eugênico, eutanásia, suicídio assistido, e toda sorte de instituições serão devidamente justificadas em nome de um bem maior, o da coletividade. E é claro que estas deformidades serão advogadas não como um mal necessário, mas como um bem em si mesmo, por meio da sua classificação sumária de direitos adquiridos.

ONG eugenista aciona STF pelo direito de matar deficientes

Entre os apoiadores da ONG Anis Bioética está o Ministério da Saúde, responsável oficial pela divulgação e investigação das informações sobre a suposta epidemia de microcefalia

A histeria gerada pela mídia por causa da microcefalia supostamente associada ao zika vírus e ao mosquito da dengue, tem oportunizado que ativistas levantem novamente a bandeira do aborto legal. Para eles, a vitória sobre os anencéfalos em 2011 não representou um avanço do direito das mulheres, já que o feto anencéfalo morre inevitavelmente. A verdadeira conquista, segundo eles, se dará agora, quando a mulher terá finalmente o direito de matar um bebê que não corre riscos de vida, mas simplesmente porque ela assim deseja.

Quem diz isso é a antropóloga Débora Diniz, representante da ONG feminista Anis Bioética, que entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal para ampliar o direito das mulheres.

(…) na anencefalia os bebês não nascem vivos e assim escapávamos de um debate moral. Hoje, sabemos que a microcefalia típica é um mal incurável, irreversível, mas o bebê sobrevive (na maioria dos casos)”, afirma. “Portanto trata-se do aborto propriamente dito e isso enfrenta resistência.” Diniz diz que a interrupção de gestações é só um dos pontos de uma ação maior, focada na “garantia de direitos das mulheres, principalmente na saúde”. (leia a matéria na íntegra)

Trata-se de uma seleção artificial da espécie, mediante a eliminação daqueles que são considerados não aptos. Antes do advento do Cristianismo, este tipo de raciocínio era perfeitamente normal, tanto é que em muitas sociedades primitivas indígenas ainda se pratica tradicionalmente o infanticídio. Com o Cristianismo, nasce a ideia de que os mais fortes têm o dever de proteger os mais fracos.

Esta noção deu origem à ideia de direito. Afinal, exigir um direito só tem sentido quando há uma situação de desvantagem ou fragilidade física ou social. Portanto, a ideia de direito ao aborto é simplesmente, além de contraditória, monstruosamente diabólica.

A eugenia está na origem da militância pelo aborto. A antropóloga Margareth Sanger (colega de profissão da dra. Débora Diniz) já dizia em The Pivot Of Civilization, que “o objetivo do controle de natalidade é mais nascimentos entre as pessoas aptas e menos entre as não aptas”.  Não é a toa que os militantes argumentam o aborto ser uma questão de saúde pública. De fato, eles dizem a verdade sem querer, pois como os clássicos abortistas, os seus contemporâneos também querem uma seleção artificial dos seres humanos, conforme o seu próprio critério de quem deve morrer.

Com o objetivo de controle populacional, muitas fundações internacionais estão interessadas em aprovar o aborto no mundo inteiro. O Brasil, ao que tudo indica, tem sido uma pedra no sapato destas fundações, que dispendem todos os recursos que podem para mudar este quadro. A ONG Anis Bioética possui, em sua lista de apoiadores e parceiros, muitos nomes de fundações, como a Ford e a McArthur, assim como o Ministério da Justiça, que com isso coloca-se claramente favorável ao aborto, e o Ministério da Saúde, atual responsável oficial pela divulgação das informações sobre a suposta epidemia de zika vírus e microcefalia para a mídia.

Como podemos observar, há todo um circo muito bem armado.

 

Zika-Microcefalia: epidemia ou fraude abortista?

vacina

A confusão é tamanha que até a OMS pediu maior transparência nos números fornecidos pelo Brasil. Fica a cada dia mais evidente a contradição entre a incerteza dos médicos e a certeza quase fanática da imprensa.

Parece que a comunidade científica tem ficado a cada dia menos confiável. É só ver as previsões catastróficas do aquecimento global e a neve acumulando-se no Hemisfério Norte. A crença na sua onisciência, porém, não diminui.

Agora a Fiocruz arrumou-se. Ganhou financiamento milionário para auxiliar no desenvolvimento de vacina contra o Zika em conjunto com os Estados Unidos. E os suspeitos de terem contraído o zika vírus ganharão bolsa por causa da consequência imediata e aparentemente inevitável: a microcefalia. Claro que isso será feito após uma investigação. Mas a GloboNews corre na frente e recomenda: se você teve o zika e estiver grávida, corra para se inscrever no benefício. Com bolsa, quem agora vai duvidar que estamos diante de uma epidemia inevitável e seríssima?

Acontece que os casos relacionando zika e microcefalia são pouquíssimos, tendo sido descartados mais de 400 casos, deixando como evidência desta suposta relação, apenas SEIS casos. E o descarte de casos suspeitos só cresce. Os 1.400 casos alarmados na imprensa inicialmente eram, na verdade, apenas o montante de casos suspeitos para análise. A confusão é tamanha que até a OMS pediu maior transparência nos números fornecidos pelo Brasil. Fica a cada dia mais evidente a contradição entre a incerteza dos médicos e a certeza quase fanática da imprensa.

Desde o início, diante da mera suspeita de relação entre o mosquito e a microcefalia, os números de casos suspeitos da deformação já eram amplamente divulgados, portanto tratados pela mídia como certos. Esta é a marca inconfundível de uma fraude, como foi e tem sido no aquecimento global: a elevação de suspeita à certeza e a exploração do medo. Em seguida, vem a solução proposta: uma vacina que levará 4 anos para ser desenvolvida. Enquanto isso, corre dinheiro para verbas milionárias de pesquisa. Eis o porquê de não haver praticamente nenhuma voz médica chamando a atenção para as centenas de suspeitas que pesam sobre a questão.

Uma coisa é a suspeita de fraude, que cresce a cada vez que a imprensa decide falar do assunto, tanto pela incongruência das informações, quanto pela insistência e sensacionalismo das matérias. Outra coisa são as hipóteses de fraude, que são muito difíceis de saber. No momento, quase todas parecem verossímeis, mas difícil conciliar todas elas. Cada uma necessitaria de uma investigação aprofundada. O que podemos fazer no momento, porém, é listá-las em busca de que alguma relação se mostre evidente à medida que as informações se cruzem e se atualizem.

A primeira delas é o lote de vacina da Rubéola, que teria sido aplicado à população sem o devido cuidado (segundo alguns, a data de validade ou simplesmente uma vacinação mal feita). A rubéola, como se sabe, causa má formação no feto e pode ter sido acobertada devido o volume monstruoso de indenizações que ocasionaria.

Outros chamam a atenção para a recente determinação da Anvisa que ocasionou a diminuição do índice de iodo no sal de cozinha. A falta de iodo durante a gravidez é uma das causas de malformações.

Outra suspeita gira em torno do mosquito geneticamente modificado, criado pela empresa britânica Oxitec, que foi contratada pelo governo brasileiro. A contratação envolve uma série de irregularidades, havendo inclusive alegações de que “atendeu a mais objetivos políticos do que técnicos”. Um dos acionistas da empresa é o conhecido eugenista Bill Gates, que já falou publicamente em utilizar mosquitos geneticamente modificados para conter doenças tropicais. O mesmo Bill Gates que é aficcionado por controle populacional.

Sobre o mosquito da Oxitec, há um interessante estudo que põe em dúvida a iniciativa. Leia: Mosquitos Geneticamente Modificados: preocupações atuais (Helen Wallace)

Por cima de tudo isso está a clara intenção de utilizar a situação para fomentar o aborto. Já que o STF aprovou o aborto de anencéfalos, seria a hora dos microcéfalos. Quanto a essa questão (que não indica necessariamente como foi armada a fraude) há também inúmeras evidências de comprometimento com a causa abortista. Isso pode ser evidenciado com uma simples análise das fontes das matérias jornalísticas sobre o assunto, nas quais há inúmeros médicos ligados a laboratórios assumidamente favoráveis à ampliação das leis de aborto no país.

 

Militância pela pedofilia no UOL

Yannik-DelbouxO blog Mulher, do UOL, traz uma matéria com o seguinte título: “Pedofilia não é sinônimo de abuso sexual e também requer ajuda”.

http://mulher.uol.com.br/comportamento/noticias/redacao/2015/10/16/pedofilia-nao-e-sinonimo-de-abuso-sexual-e-tambem-requer-ajuda.htm

A matéria se encaixa nas tentativas já conhecidas e comuns na mídia de estabelecer diferenças entre a atração sexual por crianças e o abusador de crianças ou estuprador. Este tipo de argumentação já apareceu em páginas como o Humaniza Redes, do Governo Federal, o mesmo governo que tem investido pesado para inserir no sistema de ensino princípios que defendem uma educação sexual com base na Ideologia de Gênero.

20150709213305760672eEmbora a diferença entre os que sentem atração por crianças e os abusadores exista em tese, a intenção da matéria é a de causar confusão entre duas coisas para relativizar a moralidade das duas e ampliar a aceitação da pedofilia (que abrange ambas).

O que está por trás do raciocínio da separação entre pedofilia e abuso sexual é a ideia de que não há relação entre desejo sexual e moralidade, já que parece não ser imoral a mera atração subjetiva por crianças.

Imoral parece ser somente o ato. Mas retirado o aspecto negativo da atração, sobra ao abuso um único obstáculo moral: o consentimento da criança. Havendo o consentimento, não haverá nada de errado. Ora, o consentimento de uma criança não é difícil para um adulto conseguir.

Toda argumentação contrária ao abuso sexual e à violência contra crianças é propositalmente fraco. O problema parece ser somente a violência não consensual e possíveis problemas psicológicos que criariam novos pedófilos no futuro. Mas nada disso ocorrerá se a criança for ensinada a aceitar explorar o seu corpo e ser libertada da repressão sexual imposta pela família.

A única verdadeira imoralidade para os militantes pedófilos é a repressão de todo e qualquer desejo sexual.

Herbert Marcuse dizia que a repressão sexual era a origem da exploração capitalista, o que tornava o corpo humano um instrumento do trabalho e não do prazer. A única forma de livrar-se disso é a liberação sexual total, para que a personalidade humana readquirisse a posse sobre o corpo.

As militâncias feministas e movimentos gays pela pedofilia, portanto, assimilaram o marxismo em suas causas subjetivas como uma modelo ideológico preenchido pela hermenêutica dos desejos.

Ciência e ideologia III: ‘o império ecológico’

aquecimento-global
Famosa fotomontagem publicada como jornalismo, utilizada para sensibilizar a opinião pública. Enquanto isso, a população de ursos polares está crescendo como nunca.

Toda abordagem ideológica precisa de uma etapa inicial baseada na fabricação de um tipo de consenso. Esta etapa é marcada pela objetividade e tem função meramente informativa. Neste aspecto, a credibilidade de que goza o discurso científico em uma sociedade é essencial. Isso significa que muitas ideologias contam com o suporte de uma ciência, que pode ser legítima desde que separada do seu prolongamento ideológico e uso político posterior.

No uso ideológico, é comum a busca por uma verossimilhança de critério científico. Dados e tabelas, nomes de cientistas e referências acadêmicas, grandes e complexos títulos de obras e artigos, etc, são normalmente eficientes para que o conteúdo midiático não seja questionado. Mesmo que o conteúdo científico contenha em si profundas contradições lógicas e científicas, a tendência do público é depositar confiança.  É comum, por exemplo, o jornalismo apresentar uma hipótese teórica como se fosse uma teoria ou uma teoria como se fosse uma conclusão. Nesse caso, pode criar-se uma verdadeira cultura, um sistema de crenças que vai sedimentando-se em valores inquestionáveis pretensamente universais que brevemente já nem lembram-se de onde vieram, caindo em um senso comum.

Quando a ciência ecológica começou, no final do século XIX, era uma ciência essencialmente biológica que buscava uma abordagem sistêmica sobre as inter relações entre as ciências naturais. Hoje, porém, podemos dizer que se trata de uma ideologia política, essencialmente econômica e intervencionista, que busca regular o uso dos recursos naturais de todo o planeta.

O tema da ecologia foi ganhando mídia justamente quanto mais se alinhava a utopias políticas. Desde a definição do problema inicial (a destruição da natureza) até a solução proposta (controle da economia mundial) um longo processo se estabeleceu e deixou uma série de questões propositalmente de fora das discussões. Vejamos:

Uma das mudanças imperceptíveis foi a transformação do problema da “destruição da natureza” — que antes era entendido como figura de linguagem que significava as diversas agressões que colocavam os recursos naturais em risco — em um macrossistema de desequilíbrio planetário. Esta mudança sutil, feita por meio do desenvolvimento da teoria geral dos sistemas, claramente impõe soluções planetárias a problemas que antes eram tratados como locais.

As noções de “equilíbrio ecológico” ou equilíbrio planetário não pertencem ao mundo das ciências — naturais ou humanas — mas à literatura místico-esotérica dos séculos anteriores popularizada por editoras maçônicas e que ganhou o público urbano por volta do século XIX, constituindo a cultura que hoje chamamos Nova Era, que entre suas crenças inclui desde as primitivas seitas pagãs até o culto a extraterrestres.

É fácil percebermos que a noção de equilíbrio planetário pressupõe o conhecimento de um eixo principal sobre o qual o todo se equilibra. Este tipo de conhecimento só pode ser de caráter “revelado” e não empírico já que não faz parte do objeto de estudo de nenhuma ciência conhecida (exceto, de certa forma, da teologia).

Essa mudança vinda do uso de novas noções se concentrou na situação, no pressuposto ou justificativa de todo o edifício ideológico que vem depois. A abordagem sistêmica, como lembra Pascal Bernardin (em O Império Ecológico), quando aplicada à sociedade, tem a característica de ignorar o indivíduo, fazendo dele uma peça passiva de um sistema complexo. A teoria geral dos sistemas ampliou, com isso, as possibilidades teóricas da engenharia social.

Afinal, para resolver o problema do desequilíbrio ecológico, impõe-se a mudança de valores sociais. A ecologia mudou muito desde seus primórdios como ciência biológica, quando denunciava a ambição humana pelo controle técnico da natureza, até o ponto atual em que defende radicalmente o controle social sobre a mente humana como meio de controlar o planeta.

Da ciência para a mídia

Como já dissemos, o jornalismo quando fala de ciência se utiliza da credibilidade emprestada das ciências. Mas todos sabem o que é a ciência? Segundo o filósofo Olavo de Carvalho, há pelo menos três sentidos em que a palavra ciência pode ser entendida. Primeiro, como método de investigação; segundo, como conjunto de comunidades científicas, o que pode representar uma única comunidade ou algumas delas seletivamente; e, terceiro, a ciência como critério de validação de conhecimentos a serem usados pela política e para o bem (ou mal) da sociedade.

Em geral, a mídia utiliza o termo neste último sentido, como critério de validade de informações que o jornalista ou o jornal não poderia validar e, portanto, livra-se da responsabilidade por elas.

Embora o jornalista não explique ao seu público o sentido em que está usando o conteúdo científico, isso está patente pela própria essência da profissão. Portanto, os outros dois sentidos ficam implícitos como acidentes. Há a credibilidade do método, implícita socialmente, e o uso seletivo de comunidades científicas ou cientistas individuais. Neste último caso, a seleção não fica sempre por conta do jornalista, mas de organismos como a ONU (ex. IPCC).

Em 2013, demonstrei, em uma dissertação de mestrado em jornalismo, que a abordagem sobre Aquecimento Global no Diário Catarinense durante o ano de 2007, foi cerca de 46% pedagógica e apenas 29% informativa. A abordagem informativa concentrou-se nos primeiros meses enquanto a pedagógica, nos últimos. Isso parece indicar que a informação precisa vir antes da atribuição de valores e da sugestão de mudanças de comportamento, exatamente como acontece na chamada Teoria do Agendamento, que propõe duas fases, a do objeto e a do atributo.

A passagem de uma função para a outra se deu por meio do direcionamento político do jornalismo ambiental, que correspondeu a 35% e concentrou-se justamente na transição entre os dois. A função política em geral significa a geração de pressão para que países se mobilizassem para enfrentar o problema das mudanças climáticas.

Função Informativa: 29% — primeiros dois meses
Função Pedagógica: 46% — últimos meses

A função informativa coincidiu com a abordagem mair naturalista, isto é, focada na necessidade de preservação das belezas, florestas, animais em extinção, enfim, temas que tocam a sensibilidade e o zelo pelo planeta. Já a pedagógica e última focou somente em como o ser humano, mediante mudanças culturais e sociais, poderia contribuir para a “saúde do planeta”.

OBS.: Este estudo foi feito com atenção unicamente ao aspecto ideológico do ambientalismo, sem prejuízo dos problemas reais a serem enfrentados. Como acredito que a verdade não pode ser transmitida com o uso de mentiras, as denúncias que faço são em relação exclusivamente às mentiras utilizadas, acreditando que os fins não justificam os meios. No máximo podemos sugerir que, se os meios são ruins, a necessidade dos fins resultam no mínimo suspeitos.

Contra-Agenda: como agendar a mídia

Nenhum movimento político ou cultural conseguirá existir sem chamar a atenção da mídia para a sua existência e objetivos. Desde os protestos contra o governo até projetos culturais de grande importância precisam de ferramentas de divulgação.

Como tenho prometido em meu programa semanal na RadioVox, este pequeno texto intitulado Contra-Agenda: como agendar a mídia, é uma tentativa de manual prático para o conhecimento das circunstâncias e funcionamento dos meios de comunicação. O objetivo como o próprio título diz é possibilitar atividades de divulgação da informações faltantes na grande mídia por meio do aproveitamento de oportunidades e características passíveis de influência.

O vácuo de informação produzido pela mídia nas últimas décadas é resultado da mudança de função dos meios de comunicação que passaram da informação para a transformação. Cabe àqueles que buscam a verdade criar canais e formas de fazer difundir a verdade nestes meios pouco afeitos a ela.

O documento que disponibilizo para download está incompleto, devendo haver erros e imprecisões e por isso conto com a ajuda de leitores e ouvintes para a elaboração deste material, sempre partindo do estudo e das experiências práticas em mídia e divulgação de informações.

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