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O fantasma militar-policial e os obstáculos à inteligência brasileira

NOTA: Talvez este artigo soe inoportuno. Em uma época dominada pela esquerda, pode parecer impróprio criticar um pensamento tipicamente de direita, mas é antevendo o uso das fragilidades da mentalidade brasileira pela esquerda que arremeto contra o chavão, inimigo numero um da inteligência de qualquer cor.

Que brasileiro nunca disse ou no mínimo ouviu repetirem que todo político é bandido e que bandido bom é bandido morto. Parece que desde Floriano Peixoto, que fuzilou centenas de opositores, estas frases estão impressas na alma do brasileiro. É possível que a partir da Proclamação da República o brasileiro tenha desenvolvido uma adoração pela força bruta institucional, especialmente quando se trata da do braço forte e mão amiga das FFAA, força policial ou estatal por meio dos santos tentáculos do Poder Judiciário. Embora isso possa estar adormecido por décadas de antimilitarismo e ideologias anti policiais expressas pela mídia esquerdista, essas ideias aparecem de modo permanente na cultura brasileira.

A ideologia policial é o pensamento mais característico no Brasil. Manifesta-se em frases feitas e chavões que têm em comum um certo purismo moral, não raro aplicado seletivamente. Estes pensamentos aparecem de modo caótico no senso comum espalhados pelo país, movidos por uma sensação geral de injustiça. É como uma força quase física que atua no território nacional empurrando cada consciência a ignorar toda reflexão e sucumbir à lógica aparentemente irresistível dos lugares comuns.

Toda incomodidade diante da tensão entre oposições que geram alguma complexidade parece ser aliviada pela repetição dos chavões policialescos, onde o anseio punitivo parece manter certa coesão das personalidades. A sensação de injustiça, impunidade, é remediada pela convicção e certeza do funcionamento das instituições nacionais.

A ideologia policialesca brasileira é estatista em sua base. Possui brutal confiança no aparato jurídico e da aplicação da lei como garantia de realização da utopia do progresso, do rumo certo ao desenvolvimento nacional, o que só se dará por meios essencialmente materiais, não sem o efeito catalizador da moralidade pública.

A corrupção, para o brasileiro, é o grande inimigo da nação. Um monstro que devora e impede o predestinado progresso.

Desde a campanha do “Petróleo é nosso”, passando pelo medo da cobiça estrangeira da Amazônia, até a novíssima faceta da redemocratização da Terceira República, culminando com a luta contra o monstro da inflação, a caça aos marajás, etc. A ascensão da esquerda só não foi e não será completa enquanto bater de frente com essa ideologia popular. E ai está o grande perigo. Uma esquerda policialesca e militarista poderá ser a nossa ruína.

O Brasil foge da sua própria imagem como o diabo da Cruz. Nega a realidade da sua herança portuguesa na cultura ao passo que a vive e revive nos piores detalhes da política. Raymundo Faoro, no clássico da sociologia brasileira Os donos do poder, faz um diagnóstico incrivelmente realista da estrutura mental do brasileiro ao remontar à origem do estado português, no qual a ligação entre os reis e a terra fazia da sociedade um imenso rebanho de súditos fiéis. O paternalismo estatal é herdeiro da fidelidade monárquica que, embora o período imperial tenha tentado dissolver em um parlamentarismo, acabou se potencializando ao longo da República da Espada, a Velha, a Nova, a Terceira…

Todo o paternalismo republicano brasileiro vem do direito divino dos reis, que nos foi legado tão fortemente, justo por nunca ter sido vencido ou mesmo combatido no campo das idéias (campo aliás sem nenhuma tradição no país). O resultado é uma espécie de superstição estatista, na qual o poder é tanto mais venerado quanto mais desconhecida a sua origem. Perdida nos labirintos da história mental do Brasil, o poder que esteve tradicionalmente ligado á propriedade é alienado para a posse total do país e o culto revertido aos donos do poder encastelados no trono da alma brasileira.

A grande fonte de confusão política no Brasil parece ser a dúvida silenciosa: afinal, a quem pertence o país por direito? Os populistas e os oligarcas tentaram substituir o velho direito dos reis expropriados. A neurótica vontade de inventar o futuro por meio da ideologia do progresso parece ter sido o fruto dessa culpa por termos exilado o passado e, com ele, o Brasil de si mesmo. O Brasil é um país que nega e foge de si, a começar pela alegria do carnaval que tenta esconder a nossa natural tristeza portuguesa. Enquanto a beleza da herança cultural é negada, a consequência política dela permanece neurotizadamente presente.

Mas a visão do estado e do bem comum tornou-se supersticiosa e puritana. O político tornou-se aos poucos o símbolo da ineficácia e da corrupção. Com ele, a política, o debate e a própria inteligência. Assim, independe qualquer esforço de conciliação, pois embora o pragmatismo tenha sido o nosso poder moderador de acordo com Paulo Mercadante, permanece a rude revolta em favor do rei absoluto no subsolo moral de nossa consciência. E nesta, um puritanismo moralizante e autoritário tem lugar de teologia política, um sentimento de justiça a qualquer custo.

Uma vertente deste pensamento que coloca o mal no objeto e não na mão que o maneja, é aquele que busca contrapor-se ao demonizar o homem. O erro é o mesmo da superstição que vê no errante o erro, no pecado o demônio, no gato o azar. E por fim, no político vê a corrupção em forma de gente. Ou ainda no bandido individual vê toda a criminalidade que deve ser extirpada. A execução é a resposta mais óbvia para este tipo de lógica.

É ai que encontra paralelos assustadores com a mentalidade revolucionária. Embora os comunistas tenham no mundo se travestido de pacifistas e militantes de direitos humanos, seu intuito é e sempre será sanguinário. Mas o direitista brasileiro pode acabar optando pela via do fascismo stalinista sem perceber, como resposta ao disfarce pacifista dos nacional-socialistas do PT.

Na dúvida, clama pelas Forças Armadas, intervenção militar. Para isso, clama em caixa alta, em gritos e palavras de ordem. Ordem e progresso. O policialesco brasileiro não ama a sociedade brasileira, mas tudo aquilo que historicamente tentou se passar por ela. É isso que vê nas cores verde e amarelo.

Foi esta bandeira verde e amarela que exilou o Imperador e instituiu o golpe da República a partir de uma ditadura militarista que executou inimigos e por pouco não decapitou o próprio Dom Pedro como na França, é o que gostaria de ter feito o jacobino Floriano Peixoto. Não foi a mesma bandeira cultuada antes, aquela cujo verde representa a casa dos Bragança e o amarelo, os Habsburgo. O estado brasileiro precisou exorcizar a sua origem para poder reconstruir uma sociedade à sua imagem e semelhança.

A pior e mais atual consequência desta ideologia é a aposta nas instituições e na insistência em colocar todas as soluções nas mãos do estado, cujo instrumento para efetivá-las só pode ser a reunião de mais poderes. O nacionalismo, dizia Lênin, embora inimigo do socialismo, reúne incrível “reserva de energia revolucionária”, que pode ser usada quando for necessário. Mesmo que o nacionalismo brasileiro no fundo não exista, essa caricatura de nacionalismo com cores militaristas e estatistas, sempre foi suficiente para a submissão da sociedade aos que usurparam o poder. Não podemos esperar outra coisa de um país que foi erguido em gabinete.

Se não gostamos de socialistas que defendem bandidos utilizando os direitos humanos, não vamos querer estar aí para vermos os socialistas militaristas e policialescos colocando políticos nos paredões mais sanguinários em nome da soberania nacional, do estado forte e da mão amiga.

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Princípios e problemas do conservadorismo no Brasil

Muitos enchem a boca pra falar em conservadorismo como se fosse uma instituição doutrinal sólida e de valores perfeitamente compreensíveis e aplicáveis. Isso não se aplicaria principalmente no Brasil, sendo mais comum e previsível a deturpação de virtudes em aparência de virtudes, conhecimento em aparência de conhecimento, etc. Sem a pretensão de apontar caminhos salvadores, no programa veiculado pela RADIO VOX no dia 25 de janeiro, falo sobre as potenciais dificuldades que o brasileiro encontra e encontrará para compreender o que é uma conduta politica conservadora.

Ciência e ideologia II: A meta aberta da ‘teoria de gênero’

Trans-symbols_810_500_s_c1Chamar a Ideologia de Gênero de teoria faz parte de uma daquelas estratégias discursivas que colocam uma militância política no patamar científico, aproveitando-se do fetichismo que a ciência goza desde o início da modernidade e que hoje vemos potencializado pela constante exposição midiática dos avanços tecnológicos.

Lembremos dos elementos ideológicos expostos na postagem anterior — situação, problema e solução — para compreendermos a estrutura dessa ideologia.

Para os defensores da Ideologia de gênero, todos são obrigados a aceitar a crença inicial da situação social proposta: a de que os homossexuais e outras formas de sexualidade não convencionais estão sendo massacrados em uma onda de violência motivada por valores vigentes que produzem discriminação e preconceito. Estas duas últimas palavras, que são parte do problema, não são conceituadas nem explicadas, deixando-as livres para o entendimento popular. Essa brecha de liberdade interpretativa é como uma jogada caótica, em que se aposta na multiplicidade de entendimentos para justificar juízos e reivindicações totalmente arbitrárias. Assim alega-se falsamente estar em defesa de liberdades individuais.

maxresdefaultJudith Butler (foto), principal divulgadora da ideologia de gênero, conceitua gênero como o seu comportamento. Isso mesmo. Ela utiliza Nietzschie, que dizia não haver o “ser” mas apenas o “fazer”. Imaginem se alguém vai se definir pelo que fez ou faz, independente de ter feito certo ou errado. Esta ideia parte de um princípio relativista liberal no qual a consciência individual, certa ou errada, é legítima e fatalmente todos os crimes podem ser incentivados. isso mostra como deixar um conceito inexplicado se tornar senso comum pode tornar a interpretação algo incontrolável.

Mas não é só este conceito que goza dessa indefinição proposital.

Fim dos direitos

O alegado objetivo político dessa ideologia, isto é, sua meta, seria o “avanço dos direitos”. Como sempre, não define o que é direito, que na verdade significa um dever do estado. O dever do estado, neste caso, seria assegurar a liberdade de auto-definição sexual, pessoal, íntima, de cada indivíduo de acordo com o que ele sente que é. Se o que ele é depende do que ele faz ou deseja fazer, significa que ele é prisioneiro dos seus erros ou acertos e, portanto, não há liberdade de consciência já que a consciência não é mais livre para ir contra o seu comportamento. Por isso, o efeito prático dessa ideologia é o fim da liberdade individual e, portanto, da possibilidade de igualdade ou garantia de direitos. Isso significa que o seu efeito prático é exatamente oposto ao objetivo alegado.

Globalismo

Engana-se quem acusa a Ideologia de Gênero de querer unicamente destruir a família por meio da moral sexual. Esta é uma simplificação grosseira que pode servir para caracterizar a militância mais burra que geralmente trabalha neste nível. A meta do globalismo por meio dessa ideologia é domesticar nossos conceitos para as construções políticas e sociais maleáveis, colocando o poder das definições mais elementares nas mãos dos globalistas, representados por comunidades científicas eleitas e influentes na mídia.

Com este poder, poderá redefinir não só o conceito de família mas o de ser humano, uma luta cara aos defensores do aborto, mas também a todos aqueles que propõem flexibilizar leis que protegem a vida humana. Mas esta é apenas uma das aplicações possíveis da conquista do poder nas definições de valores. Afinal, sabemos que a proteção ou sacralização da vida humana sempre foi um importante obstáculo para o avanço de todo tipo de controle social, assim como muitos outros valores morais que atrapalham este progresso técnico e científico que miseravelmente busca a satisfação de utopias globais anti-humanas.

Quando todos os valores forem transferidos para as mãos de legisladores, estes terão o poder de dirigir totalmente o curso da civilização humana na direção que bem entendem. Isso só é possível opondo-se à compreensão antiga de que há algo dado na natureza, isto é, que escapa do poder de alteração humana.

A natureza humana, assim, poderá ser redefinida por maioria de votos.

Notas: Ideologia de Gênero e revolução educacional

É consenso entre profissionais acadêmicos da educação a afirmação de que “a família está em crise”. Ao mesmo tempo, exibem-se de que a ciência pedagógica tem evoluído e tem o papel de ajudar no desenvolvimento da sociedade. Por que será que a família está em crise? Continuar lendo Notas: Ideologia de Gênero e revolução educacional

O fundo falso do politicamente correto

Em outubro de 2010, em Florianópolis, Santa Catarina, aconteceu o Seminário Internacional de Tecnologia para a Mudança Social[1], promovido por diversas organizações entre elas o ICom (Instituto Comunitário Grande Florianópolis), além de grandes empresas como o Grupo RBS, Fundação Social Itaú, Fundação Maurício Sirotsky Sobrinho, UN Volunteers (ONU), entre outras. Sob o slogan “Together is better”, o evento propunha-se a:

“construir uma presença digital relevante e aproveitar os meios tecnológicos disponíveis para propagar sua causa social. “As organizações da sociedade civil devem utilizar as tecnologias como um meio de mobilizar recursos, atrair e gerenciar voluntários e prestar contas para todos os seus públicos. A internet é hoje o meio mais rápido e efetivo de estabelecer relacionamentos e formar redes sociais”.[2]

A “causa social”, neste caso, é o grande um mote. A mensagem superficial do evento é um resultado da apropriação empresarial da proposta da mudança social e promoção de uma nova cidadania com ênfase na utilização da tecnologia para melhorar as relações sociais e, com isso, angariar mais negócios dinamizando a economia. Este é um perfeito exemplo de ação positiva de empresas, ongs e instituições públicas, unidas para uma causa aparentemente única e benéfica para todos. A mensagem principal da campanha, como sempre acontece, é não só inofensíva mas aparentemente de um elevado grau de boa intenção. É necessário que analizemos profundamente as relações por trás de toda essa benevolência apostolar.

O destaque do seminário é a presença de um palestrante internacional, o professor Emmet D. Carson, presidente e fundador da Sillicon Valley Community Foundation, considerado uma das principais lideranças do terceiro setor (ongs) nos Estados Unidos. Carson é responsável pela gestão de mais de 1500 fundos de investimento social de empreendedores da área de tecnologia e de empresas como eBay, Google e Sun Microsystems.

A Sillicon Valley Community tem publicado a lista das doações que faz em seu Relatório Anual. Eis um dado revelador, descoberto pelo jornalista americano Lee Penn[3]: no ano de 2000, consta a doação de cerca de US$1 milhão para uma organização chamada United Religions Initiate (URI). A Sillicon Valley Community não é a única organização empresarial que faz doações à URI. Descendo ainda mais os degraus do intrincado mundo oculto das finanças e ongs, encontramos enfim, o fundo falso que há no subterrâneo das relações institucionais vigentes, até nos depararmos com o sinistro significado por trás das belas palavras ditas nas palestras do Sr. Carson.

É possível que Emmett Carson nem desconfie, mas a organização que ele preside faz anualmente doações milionárias para uma organização com objetivos macabros e, como mostrarei a seguir, satãnicos.

A URI é uma organização que busca ter o status da ONU. Suas ideias vem se espalhando pelo mundo desde o século XIX, mas só na década de 1990 é que surgiu como entidade jurídica. Desde então a organização tem arrecadado todos os anos somas milionárias por meio de 72 organizações diretas e mais de 500 Círculos de Cooperação fixados em 167 países[1]. No livro False Dawn, ainda não publicado no Brasil, o jornalista Lee Penn desmembra toda a teia de relações envolvendo essa grande Ong.

Essa organização gigantesca tem entre seus objetivos públicos o relacionamento e a integração entre as várias religiões afim de criar uma “cultura de paz, justiça e igualdade para todos os seres vivos”. Entre as ações propostas pelo grupo para chegar a esse objetivo, Lee Penn lista as seguintes:

1. Limitar a evangelização cristã em nome da promoção interreligiosa da paz;

2. Marginalizar os cristãos conservadores como intolerantes e fundamentalistas;

3. Preparar o caminho para uma nova espiritualidade global que possa acomodar formas mais domésticas das atuais religiões e movimentos espirituais;

4. Promover uma nova “ética global” coletivista;

5. A idéia de que o principal objetivo da religião é a reforma social a serviço de Deus;

6. A idéia de que todas as religiões e movimentos espirituais são iguais, verdadeiros, e igualmente eficazes como caminho para a comunhão com Deus;

7. Controle populacional – especialmente no Terceiro Mundo;

8. Elevar a respeitabilidade de cultos como ocultismo, bruxaria, theosofia, e outras formas discriminadas de religião[2];

A URI foi fundada pelo Bispo episcopal da Califórnia William Swing em 1995 e suas idéias têm atraído um número gigantesco de grupos ativistas, dos mais diversos. Por mais diversos que sejam, entretanto, têm demonstrado uma impressionante capacidade de desarmar conflitos entre eles. Entre os tipos de grupos apoiadores da URI estão:

– Dalai Lama e religiosos apoiadores do regime chinês;

– Pró-gay e anti-gay seguidores da rev. Chinesa;

– Muçulmanos radicais e feninistas radicais;

– Fundações capitalistas e partidos comunistas;

– entidades de George Soros e George W. Bush.

Não é preciso dizer que grupos como estes dificilmente se entendem em suas zonas de influência. Mas a URI tem uma estranha capacidade para agregar acólitos dos mais díspares. Essa propensão à “diversidade para a unidade” demonstrada pela URI, é fruto de uma articulação e conciliação entre diferentes objetivos em comum. Trata-se de um grupo que vê a multiplicidade de religiões como um fator de exclusão e de divisão dos seres humanos. Para minimizar os efeitos nocivos da separação entre as pessoas, a URI milita em uma causa que, em última instância, promove uma religião internacional, uma fé única e universalista a ser imposta para todo o Planeta.

A forma mais fácil de fazer isso, segundo a maioria dos religiosos que pertencem a entidades ligadas a este grande grupo, seria mesclar os conhecimentos adquiridos pelas várias religiões de modo que se crie um “conhecimento único”, uma “multi-fé”, sem dogmas e de um certo modo planetária, que una os homens em uma cultura de paz independente de denominações religiosas. A URI não prega somente um sincretismo religioso tal como o Brasil conhece, nomeadamente, entre catolicismo e umbanda. Busca uma mudança muito mais profunda no entendimento do que seja religião. Mostraremos como, por diversos motivos, a URI trabalha para a extinção de todas as religiões atuais, mediante o esvaziamento do seu conteúdo simbólico, descaracterização de dogmas e desvinculação das almas aos seus lugares de origem, para enfim criar dentro do espírito humano uma necessidade vazia de fé, cuja mais nobre forma reside em uma crença relativista da universalidade e multiplicidade do cosmos.

A origem, porém, deste pensamento, está longe de ter motivações pacíficas e de união das religiões. Entre os principais teóricos orientadores e fundadores de grupos pertencentes a URI estão ocultistas e satanistas como Helena Blavatsky, Alice Bailey, Aleister Crowley, entre muitos outros. E seus continuadores têm relacionamentos tão promíscuos com sociedades secretas (ou meramente discretas) que aliam-se desde a poderosas organizações capitalistas a perigosos grupos revolucionários e comunistas; em todos os países do mundo, sua causa é compartilhada tanto entre partidos de direita quanto de esquerda. Um claro exemplo dessa multiplicidade unitária da URI e de seus tentáculos está na relação próxima que têm com acionistas majoritários das Organizações Ford e ex-dirigentes da KGB, políticos do partido republicano dos EUA e militantes socialistas na América Latina. Essa teia de relações, como veremos, é um emaranhado de convivências tenebrosas entre o pior do conhecimento que o homem já produziu e a tentativa de perpetuação dos maiores erros da humanidade.

Ameaçado pelo narcotráfico, juiz federal vive confinado no fórum

ESTADÃO | Odilon de Oliveira, de 56 anos, estende o colchonete no piso frio da sala,
puxa o edredom e prepara-se para dormir ali mesmo, no chão, sob a
vigilância de sete agentes federais fortemente armados.

Oliveira é juiz federal em Ponta Porã, cidade de Mato Grosso do Sul na fronteira com o Paraguai e, jurado de morte pelo crime organizado, está morando no fórum da cidade. Só sai quando extremamente necessário, sob forte escolta.

Em um ano, o juiz condenou 114 traficantes a penas, somadas, de 919 anos e
seis meses de cadeia, e ainda confiscou seus bens. Como os que pôs atrás das
grades, ele perdeu a liberdade. “A única diferença é que tenho a chave da
minha prisão”, diz o Magistrado.

Traficantes brasileiros que agem no Paraguai se dispõem a pagar US$ 300 mil
para vê-lo morto. Desde junho do ano passado, quando o juiz assumiu a vara
de Ponta Porã, porta de entrada da cocaína e da maconha distribuídas em
grande parte do País, as organizações criminosas tiveram muitas baixas. Nos
últimos 12 meses, sua vara foi a que mais condenou traficantes no País.

Oliveira confiscou ainda 12 fazendas, num total de 12.832 hectares, três
mansões – uma, em Ponta Porã, avaliada em R$ 5,8 milhões – três apartamentos,
três casas, dezenas de veículos e 3 aviões, tudo comprado com dinheiro das
drogas. Por meio de telefonemas, cartas anônimas e avisos mandados por
presos, Oliveira soube que estavam dispostos a comprar sua morte. “Os
agentes descobriram planos para me matar, inicialmente com oferta de
US$ 100mil.”

No dia 26 de junho, o jornal paraguaio La Nación informou que a cotação do
juiz no mercado do crime encomendado havia subido para US$ 300 mil. “Estou
valorizado”, brincou. Ele recebeu um carro com blindagem para tiros de
fuzil AR-15 e passou a andar escoltado. Para preservar a família, mudou-se para o quartel do Exército e em seguida para um hotel. Há duas semanas, decidiu
transformar o prédio do Fórum Federal em casa. “No hotel, a escolta chamava
muito a atenção e dava despesa para a PF.”

É o único caso de juiz que vive confinado no Brasil. A sala de despachos de
Oliveira virou quarto de dormir. No armário de madeira, antes abarrotado de
processos, estão colchonete, roupas de cama e objetos de uso pessoal. O
banheiro privativo ganhou chuveiro. A família – mulher, filho e duas
filhas, que ia mudar para Ponta Porã, teve de continuar em Campo Grande. O juiz só vai para casa a cada 15 dias, com seguranças.

Oliveira teve de abrir mão dos restaurantes e almoça um marmitex, comprado
em locais estratégicos, porque o juiz já foi ameaçado de envenenamento. O
jantar é feito ali mesmo. Entre um processo e outro, toma um suco ou come
uma fruta.”Sozinho, não me arrisco a sair nem na calçada.”

Uma sala de audiências virou dormitório, com três beliches e televisão.
Quando o juiz precisa cortar o cabelo, veste colete à prova de bala e sai
com a escolta. “Estou aqui há um ano e nem conheço a cidade.” Na última ida
a um shopping, foi abordado por um traficante. Os agentes tiveram de
intervir.

Hora extra 

Azar do tráfico que o juiz tenha de ficar recluso.

Acostumado a deitar cedo e levantar de madrugada, ele preenche o tempo com
trabalho. De seu “bunker”, auxiliado por funcionários que trabalham até
alta noite, vai disparando sentenças. Como a que condenou o mega traficante
Erineu Domingos Soligo, o Pingo, a 26 anos e 4 meses de reclusão, mais
multa de R$ 285 mil e o confisco de R$ 2,4 milhões resultantes de lavagem de
dinheiro, além da perda de duas fazendas, dois terrenos e todo o gado.

Carlos Pavão Espíndola foi condenado a 10 anos de prisão e multa de R$ 28,6
mil. Os irmãos Leon e Laércio Araújo de Oliveira, condenados
respectivamente a 21 anos de reclusão e multa de R$78,5 mil e 16 anos de reclusão, mais multa de R$56 mil, perderam três fazendas.

O mega traficante Carlos Alberto da Silva Duro pegou 11 anos, multa de R$
82,3 mil e perdeu R$ 733 mil, três terrenos e uma caminhonete. Aldo José
Marques Brandão pegou 27 anos, mais multa de R$ 272 mil, e teve confiscados
R$ 875 mil e uma fazenda. Doze réus foram extraditados do Paraguai a pedido
do juiz, inclusive o “rei da soja” no país vizinho, Odacir Antonio Dametto,
e Sandro Mendonça do Nascimento, braço direito do traficante Luiz Fernando
da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. “As autoridades paraguaias passaram a
colaborar porque estão vendo os criminosos serem condenados.”

O juiz não se intimida com as ameaças e não se rende a apelos da família,
que quer vê-lo longe desse barril de pólvora. Ele é titular de uma vara em
Campo Grande e poderia ser transferido, mas acha “dever de ofício”
enfrentar o narcotráfico. “Quem traz mais danos à sociedade é mega traficante. Não posso ignorar isso e prender só mulas (pequenos traficantes) em troca de
dormir tranqüilo e andar sem segurança.”

Foro de São Paulo promete “aprofundar a democracia” no continente

Foro de São Paulo foi criado oficialmente por Lula e Fidel Castro.PERIODISMO SIN FRONTEIRAS | O documento base da próxima reunião do Foro de São Paulo, que ocorrerá na capital da Nigarágua no próximo dia 18 de maio, define os pontos de debate para a “terceira etapa” de atuação nos países da América Latina.

O Foro de São Paulo entende que as lutas sociais têm sido chave na influência da esquerda na América e propõe que governos sigam em sua aliança com estes movimentos e promovê-los como agentes para o “aprofundamento da democracia”.

“Todo movimento de esquerda deve pretender não somente derrubar a ordem social imperante, mas substituí-la por um novo e superior”.

Como fracasso neste empenho em comunizar toda a América Latina, assinalam o Chile, onde a esquerda não pôde perpetuar-se no poder e em Honduras, em 2009. Também destacam “tentativas desestabilizadoras” na Venezuela, Equador, Bolívia e Nicaragua, embora neste último tenham sido neutralizados a tempo.

Neste sentido e diante da “contra-ofensiva da direita”, detalham como próximos objetivos:

1. Manter os espaços conquistados, especialmente os governos;
2. "Seguir lutando para derrotar a direita onde ela governa e
derrotar seu contra-ataque";
3. "Aprofundar as mudanças onde governamos" (sic)
4. "Ampliar a unidade de ação e cooperação entre a esquerda
latinoamericana e caribenha, entendendo que sem a unidade
de esquerda no continente não é possível a criação da Gran
Nación de América Latina y Caribe";
5. "Dar atenção imediata aos países onde se celebram eleições
em 2011: Nicaragua, Argentina e Guatemala"
6. "Tomar as medidas necessárias para que a militância de
esquerda tenha a informação necessária e estude as mudanças
que se produzem no socialismo cubano".
7. "Reforçar a construção da 'otra visión del mundo';
8. "Agir mais ativamente. Apresentar-se como ator social visível e
passar à ação".
9. "Ampliar o desafio aos EUA e Europa utilizando para isto
residentes latinoamericanos";
10. "Articular nossa intervensão nos parlamentos regionais e em
 eleições regionais, acompanhando os governos e estimulando a
articulação dos governos nacionais e sub-nacionais".
Informações de Viviana Padelin, para o Periodismo Sin Fronteiras
Tradução: Cristian Derosa