Arquivo da tag: jornalismo

Audiências públicas e a democracia (parte I)

O problema da compreensão das definições de idéias políticas nas redações de jornais decorre, em última análise, da pouca informação que dispõem os meios acadêmicos destinados a formar profissionais para a área. Se nos cursos especializados em ciência política e sociologia é unânime a noção da necessidade simples do Estado na apropriação totalitária dos poderes políticos para garantir ao povo maior igualdade, não será nos cursos de jornalismo que estas idéias serão diferentes.

Em uma das cláusulas do código de ética do profissional ele deve priorizar o interesse público ou comunitário. Isso implica possivelmente em pender para o lado popular no que disser respeito a embates entre público e privado, o que ainda assim, manteria o profissional dentro da aceitação ética do jornalista. Mas confrontando este aspecto meramente discursivo do jargão jornalístico com a real situação política dos ambientes onde ocorrem os únicos debates de poder, percebe-se facilmente que em muitas vezes não houve a tão sonhada participação popular, mas a atuação de militantes políticos, cuja orientação ideológica condiz com a já citada unanimidade ou consenso. A prática das audiências públicas, que tratam de assuntos de interesse da sociedade como novas vias de acesso ou construção de empreendimentos e sua possível relação com os moradores locais, não atendem o objetivo proposto já desde seu início. As audiências públicas ou assembléias populares servem de conciliação depois da elaboração de um plano urbanístico ou de infraestrurura econômica que afete de alguma forma o modo de vida de determinada população.

As alegações de organizadores dessas assembléias, quanto à falta de coro nas reuniões, é de que as pessoas não estão habituadas a participar do planejamento público e que devem então serem conscientizadas. Poucas pessoas, no entanto, dão-se conta de que essa falta de habito vem justamente da prática do que chamamos por Democracia Representativa, onde o povo elege representantes pra cumprir o papel de defensor das suas causas para que ele possa dar atenção à sua luta diária pela sobrevivência no capitalismo.

Infelizmente, diante de tal desproporcionalidade de interesses – pois sãos os militantes menos numerosos, ainda que mais interessados – o povo desconhece os objetivos por trás da simples “conscientização” da massa popular moradora dos bairros afastados, onde criam rádios comunitárias, assembléias populares para discutirem assuntos de “interesse público”.

O que acontece com este tipo de debate vai muito além da diferença entre interesse público e interesse do público, onde o primeiro caracteriza-se pela real importância para a sociedade enquanto o segundo é mera curiosidade mórbida abastecida por jogos histriônicos de agenda setting. A busca pela compreensão das diferentes idéias políticas torna-se também inócua, uma vez que o jornalismo engajado não tem essa preocupação. Mesmo com a criação de uma apostila especial de ciência política para jornalistas políticos, a situação permaneceria, pois o apreço pela verdade possível – aquela a que podemos compreender – não faz parte do vocabulário dos estudos de semiótica, mas somente tem lugar a verdade duvidosa presente na simultaneidade e confusão do mundo moderno ocidental.

Onde está a verdade inconveniente?

O relatório emitido pelas Nações Unidas é unânime: todos os cientistas do mundo concordam que a Terra vai aquecer em até 4º C até 2100 e isso é indiscutivelmente conseqüência da atividade humana no Planeta. Por outro lado, é sabido que no meio científico nunca houve consenso a respeito de qualquer assunto que fosse. Sempre há opiniões contrárias, discordâncias metodológicas e técnicas.

Mas nunca uma verdade pareceu tão inconveniente quanto a de que nem todos os cientistas – incluindo membros que participaram das pesquisas da ONU – concordaram com o relatório final que, segundo importantes nomes da Academia Nacional de Ciências dos EUA, nem ao menos passou pelas mãos dos renomados técnicos contratados para fazê-lo. Richard S. Lindzen, do MIT, Massaschusets Institute of Tecnology, foi um dos nomes citados para pôr fim ao debate e comprovar os perigos do aquecimento global. Junto de outros cientistas, estranhou que, nem ele nem os outros, viram o relatório antes de ser publicado. E posteriormente, também o sumário do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) não passou pelas mãos dos cientistas da Academia listados para acompanhar o processo.

Outro especialista que discorda dos resultados alarmantes das Nações Unidas é o professor de ciências ambientais da Universidade da Virgínia, Patrick J. Michels. Ele se refere ao sumário do IPCC de 2001 como cheio de “falsidades e erros notórios”.

O documentário “The Great Global Warming Swindle”, produzido pela televisão inglesa Channel 4, que é o oposto do plaudido documentário “Verdade Inconveniente”, produzido pelo ex-vice presidente americano Al Gore, está causando polêmica, por demonstrar que o aquecimento teria na verdade causas puramente naturais e cíclicas ligadas a um comportamento normal da Terra. É claro que o homem tem o poder de destruir a vida no planeta, mas parece que ainda estaríamos longe. Em meio a tudo isso, fica a questão: que verdade inconveniente é esta que é aplaudida e premiada no mundo inteiro?

NOTA: A lista dos cientístas que são contra as afirmações de que o aquecimento é culpa da ação humana é grande e em breve apresentarei aqui, entrevista com representantes brasileiros.