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Como nos tornamos monstros desumanos?

Vivemos em um mundo que parece ter colocado as coisas menos importantes nos lugares de prioridade absoluta. Nunca se jogou fora tanto esforço, tempo e dinheiro em coisas como cirurgias plásticas, comida e cuidados para cães, jogos eletrônicos, cinema e TV, comidas gourmet, bicicletas e pornografia. Essas são as prioridades da vida de uma grande parcela da sociedade, a mesma que diz ter esperanças em palavras como paz, igualdade, tolerância, cidadania e democracia.

Ao mesmo tempo, nunca houve tanta barbárie. No Brasil, mata-se mais de 70 mil pessoas assassinadas todos os anos e, nos EUA, o aborto deixa um rastro de sangue de bilhões de vítimas inocentes, mortas no aparentemente seguro ventre de suas mães. E o pior de tudo: existe um turbilhão de recursos sendo investidos para ampliar as causas deste morticínio ao mesmo tempo que um discurso eufemizador tem logrado incutir na mente da opinião pública a idéia de que o genocídio de bebês significa ampliação de direitos.

Não é a toa que o século XX  viu surgir uma liberação sexual logo após um Holocausto genocida e enquanto mais de 100 milhões de pessoas estavam morrendo sob a bandeira vermelha do comunismo. Isso tudo nos leva à perplexidade, mas hesitamos em perguntar o porquê dessas coisas porque a resposta nos parece complicada demais. Vejamos se é mesmo complicada.

Desde o início das aglomerações urbanas, com o avanço dos meios de comunicação, as informações se tornaram rápidas e consequentemente a interpretação de textos e mensagens precisou agilizar-se. Essa agilidade, por sua vez, demandou uma simplificação e consequente superficialidade para narrar a realidade. A rapidez se tornou sinônimo de eficiência, e eficiência, sinônimo de avanço e evolução, coisas desejáveis. A cultura precisava também ganhar agilidade e ser acessível a todos e a mesma cultura sintetizada foi adequada aos meios eficientes. Numa sociedade baseada na eficiência, praticidade e utilidade, o interesses das massas passaram a ser de dois tipos: ou 1) divertir-se meramente para passar o pouco tempo que tinha livre, esquecer-se da vida dura do trabalho, ou 2) devia ser algo mortalmente útil e lucrativo ou que trouxesse progresso e evolução para a sociedade.

Não sobrou muito espaço para o aprendizado dos valores morais, o que pressupunha alguma contemplação e espiritualidade. A idéia de valores morais transformou-se gradativamente em mera formalidade familiar, escolar ou etiqueta social. A formação da personalidade restringiu-se, portanto, ao aprendizado de ofícios em uma sociedade cada vez menos espiritualizada e focada no “para que serve?”.

Ortega y Gasset, em seu A Rebelião das Massas, resume muito bem o que ocorre quando o homem massificado perde o interesse por compreender o seu lugar no mundo.

“Este homem-massa é o homem previamente esvaziado de sua própria história, sem entranhas de passado e, por isso mesmo, dócil a todas as disciplinas chamadas ‘internacionais'”.

Sem a compreensão dos valores que fazem a civilização, a tradição ou o povo a que pertence, o homem-massa se torna um solitário que só pode, como diz David Reisman, buscar encaixar-se na trama social do entorno. A perda da referência de valores tradicionais, regionais e da história de um povo ou lugar, o torna indiferente a tudo isso, pois quanto menos compreende menos sente falta. É importante lembrar que as nossas identidades mais gerais (sexual, regional, nacional, familiar e cultural) nos ensinam a descobrir nossa identidade pessoal.

Nos tempos em que a tradição dirigia a vida humana, era diferente. Todo ser humano sabia fazer parte de uma família ou clã, com suas tradições. Mais tarde, percebia-se inscrito a uma comunidade, com seus usos e costumes. Naturalmente, uma noção regional construía uma parte de sua personalidade e, por fim, a nacionalidade. Do mesmo modo, ele sabia pertencer a um tempo. Diz Julián Marias que uma sociedade só existe no tempo. Não há sociedade atemporal nem sem regionalismos. Estas características formadoras fazem parte do caráter dos indivíduos e têm a função de orientá-lo para perceber o destino pessoal. Em meio a todos estes pertencimentos, sejam espaciais ou temporais, o indivíduo percebe-se dono de uma individualidade. É daí que surge a noção de imortalidade.

Mais tarde, com o advento do liberalismo e dos ideais iluministas, do racionalismo, etc, o indivíduo apropriou-se do fazer-se humano e tomou as rédeas de seu destino que antes estava atado à tradição (segundo Reisman, é o introdirigido). Mas os homens donos do próprio destino duraram pouco diante da força centrífuga e aniquiladora gerada pelo processo de massificação.

O homem-massa, diz Ortega, “carece de um ‘dentro’, de uma intimidade sua, inexorável e inalienável, de um eu que não se possa revogar. É consequência disso que esteja sempre disponível para fingir ser qualquer coisa. Só tem apetites, crê que só tem direitos e não crê que tem obrigações: é o homem sem a nobreza que obriga”.

Os jovens de hoje são indiferentes não só à tradição da qual pudessem pertencer, mas à idéia mesma de tradição ou de pertencimento temporal, familiar. Isso porque ignoram e dão de ombros à história. Por acaso já viram um jovem contemporâneo, um adolescente, tratar com um senhor de idade? É chocante. O idoso é motivo de riso, de chacota da sua velhice.

O jovem de hoje (os da minha geração, especialmente) tem dificuldades de atenção, de concentração e, portanto, de leitura, porque deram de ombros ao que importava na infância e adolescência, optando pelos apetites diversos oferecidos especialmente à infância relegada a isso pelos adultos para que os deixassem em paz com seus afazeres. Educados diante da TV, do videogame e dentro de escolas que se julgam responsáveis por ensinar cidadania e socialização, aprenderam somente a odiar o outro e a agradar a si mesmos. Nada é mais importante do que a satisfação pessoal, o que se traduz no emotivo, psíquico, motor, sexual, gastronômico, enfim, numa energia geradora de uma alegria vazia e sem felicidade que, no entanto, chamam de felicidade. O vazio é consequência da perda dos meios de descoberta de uma missão particular e intransferível.

Uns encontram a pretensa felicidade na pura anulação de sentido, na fuga completa da realidade presente. Outros, na ilusão de atendimento às supostas necessidades do mundo, o que não deixa de ser fuga da realidade. Mas todos buscam distrair-se o máximo possível de tudo o que dê sentido à vida. Porque o sentido é pesado e doloroso, sem a base que renegou, por vezes incompreensível, confuso e inacessível. A forma mais eficiente de fugir dessa realidade é adotar como critério as pautas e os critérios colocados à disposição pela opinião pública, um instrumento massificador que foi aos poucos sendo adaptado às necessidades deste homem-massa neurótico que precisa fugir o tempo todo do sentido. A mídia fornece-lhe, como num mercado narcotizante, toda a referência que precisa para manter-se no papel que deseja representar.

Somente assim é possível, depois desta tenebrosa tragédia psicossocial, que os sujeitos prefiram proteger-se do vazio de não terem encontrado uma missão intransferível, pertencendo a grupos e lutando por pautas gerais, causas mundiais que os distraiam da profundidade da busca do que de fato devia fazer, das perguntas que devia responder a si mesmo. Nem mesmo a religião parece perceber a necessidade do sentido, que para o homem e jovem se materializa no desafio, e oferecem um Deus de amor, compassivo e que não pede nada além de um amor etéreo e impossível de conciliar com o sacrifício sobre o qual este indivíduo nunca teve notícia. O mesmo vazio, filho da indiferença com os valores espirituais, ri-se deste Deus insípido e permanece à espera de um desafio que dê sentido.

Assim é possível — e só isso explica — que diante dos agressivos militantes de causas como o aborto, a eutanásia e a pedofilia, os pretensos cidadãos de família prefiram deixá-los em paz no seu trabalho e optar por uma causa menos polêmica (como o saneamento básico), porque se as causas servem apenas para aliviar nossa tensão do vazio, não vamos nós querer atrapalhar o alívio dos outros. Fiquemos com o nosso.

Zika-Microcefalia: epidemia ou fraude abortista?

vacina

A confusão é tamanha que até a OMS pediu maior transparência nos números fornecidos pelo Brasil. Fica a cada dia mais evidente a contradição entre a incerteza dos médicos e a certeza quase fanática da imprensa.

Parece que a comunidade científica tem ficado a cada dia menos confiável. É só ver as previsões catastróficas do aquecimento global e a neve acumulando-se no Hemisfério Norte. A crença na sua onisciência, porém, não diminui.

Agora a Fiocruz arrumou-se. Ganhou financiamento milionário para auxiliar no desenvolvimento de vacina contra o Zika em conjunto com os Estados Unidos. E os suspeitos de terem contraído o zika vírus ganharão bolsa por causa da consequência imediata e aparentemente inevitável: a microcefalia. Claro que isso será feito após uma investigação. Mas a GloboNews corre na frente e recomenda: se você teve o zika e estiver grávida, corra para se inscrever no benefício. Com bolsa, quem agora vai duvidar que estamos diante de uma epidemia inevitável e seríssima?

Acontece que os casos relacionando zika e microcefalia são pouquíssimos, tendo sido descartados mais de 400 casos, deixando como evidência desta suposta relação, apenas SEIS casos. E o descarte de casos suspeitos só cresce. Os 1.400 casos alarmados na imprensa inicialmente eram, na verdade, apenas o montante de casos suspeitos para análise. A confusão é tamanha que até a OMS pediu maior transparência nos números fornecidos pelo Brasil. Fica a cada dia mais evidente a contradição entre a incerteza dos médicos e a certeza quase fanática da imprensa.

Desde o início, diante da mera suspeita de relação entre o mosquito e a microcefalia, os números de casos suspeitos da deformação já eram amplamente divulgados, portanto tratados pela mídia como certos. Esta é a marca inconfundível de uma fraude, como foi e tem sido no aquecimento global: a elevação de suspeita à certeza e a exploração do medo. Em seguida, vem a solução proposta: uma vacina que levará 4 anos para ser desenvolvida. Enquanto isso, corre dinheiro para verbas milionárias de pesquisa. Eis o porquê de não haver praticamente nenhuma voz médica chamando a atenção para as centenas de suspeitas que pesam sobre a questão.

Uma coisa é a suspeita de fraude, que cresce a cada vez que a imprensa decide falar do assunto, tanto pela incongruência das informações, quanto pela insistência e sensacionalismo das matérias. Outra coisa são as hipóteses de fraude, que são muito difíceis de saber. No momento, quase todas parecem verossímeis, mas difícil conciliar todas elas. Cada uma necessitaria de uma investigação aprofundada. O que podemos fazer no momento, porém, é listá-las em busca de que alguma relação se mostre evidente à medida que as informações se cruzem e se atualizem.

A primeira delas é o lote de vacina da Rubéola, que teria sido aplicado à população sem o devido cuidado (segundo alguns, a data de validade ou simplesmente uma vacinação mal feita). A rubéola, como se sabe, causa má formação no feto e pode ter sido acobertada devido o volume monstruoso de indenizações que ocasionaria.

Outros chamam a atenção para a recente determinação da Anvisa que ocasionou a diminuição do índice de iodo no sal de cozinha. A falta de iodo durante a gravidez é uma das causas de malformações.

Outra suspeita gira em torno do mosquito geneticamente modificado, criado pela empresa britânica Oxitec, que foi contratada pelo governo brasileiro. A contratação envolve uma série de irregularidades, havendo inclusive alegações de que “atendeu a mais objetivos políticos do que técnicos”. Um dos acionistas da empresa é o conhecido eugenista Bill Gates, que já falou publicamente em utilizar mosquitos geneticamente modificados para conter doenças tropicais. O mesmo Bill Gates que é aficcionado por controle populacional.

Sobre o mosquito da Oxitec, há um interessante estudo que põe em dúvida a iniciativa. Leia: Mosquitos Geneticamente Modificados: preocupações atuais (Helen Wallace)

Por cima de tudo isso está a clara intenção de utilizar a situação para fomentar o aborto. Já que o STF aprovou o aborto de anencéfalos, seria a hora dos microcéfalos. Quanto a essa questão (que não indica necessariamente como foi armada a fraude) há também inúmeras evidências de comprometimento com a causa abortista. Isso pode ser evidenciado com uma simples análise das fontes das matérias jornalísticas sobre o assunto, nas quais há inúmeros médicos ligados a laboratórios assumidamente favoráveis à ampliação das leis de aborto no país.

 

Ciência e ideologia I: O percurso da persuasão

MÍDIA-MANIPULAÇÃOUma das coisas mais difíceis hoje é distinguir ciência de militâncias que servem a agendas políticas. Pensemos dois exemplos bastante em voga: a Ideologia de Gênero e o ambientalismo. Ambos utilizam-se de discurso científico enquanto na verdade carregam crenças com elementos misteriosos e pouco esclarecedores. O objetivo é plantar na mente coletiva certos sensos comuns que tendem a ser inquestionáveis através de elementos sobre os quais a reflexão e o pensamento ficam obstruídos.

As ciências iniciaram sua história lutando contra o senso comum, quer dizer, aquelas afirmações que se tornavam unanimidade entre a população e que careciam de comprovação como as superstições. Buscou-se então opor-se a isso procurando explicações. Então chegamos à primeira distinção entre a verdadeira ciência e militâncias políticas: a militância aparece quando há uma crença que se pretende unânime ou consensual e é trabalhada pela mídia insistentemente por meio de discurso científico.

Isso inclui praticamente tudo o que a mídia fala utilizando a ciência.

Há dois elementos nessas ideologias: a situação problema e a solução. É fácil identificarmos as propostas de solução como conteúdo ideológico, mas é um pouco mais difícil identificá-lo quando ainda se apresenta em uma análise da situação.

Dentro dessa análise da situação problema pode haver duas dimensões: a informação meramente factual ou neutra em si mesma e a atribuição de um problema social ainda sem solução aparente.  A segunda dimensão já pode conter a ideologia e a primeira carrega ao menos em intencionalidade. Afinal, porque você decidiu estudar este assunto?, perguntaríamos.

Uma parte importante de um assunto é o motivo pelo qual ele veio a se tornar assunto. Embora o caráter meramente informativo possa ser tratado com neutro, a sua escolha já pode configurar uma intencionalidade. No ambientalismo, é necessário informar sobre desmatamentos e poluições, que em si podem ser verdadeiras, para assim gerar situação e possibilitar uma atribuição de sentido e, mais tarde, a solução.

Portanto, uma ideologia pode ser composta de: 1) descrição da situação (verdadeira ou falsa), 2) problema sem solução, 3) proposta de solução. Dentro da solução (3), há dois outros elementos: o resultado ou objetivo nominal (resolver o problema) (a) e o objetivo oculto que pode nada ter a ver com o problema (b). Aí há outras duas funções importantes, os meios e os fins. Normalmente uma ideologia se resume em justificar os meios pelos fins. Ou seja, mesmo quando ela fala a verdade quanto ao objetivo final ainda assim ela mente quanto às possíveis consequências dos meios utilizados.

A função da mentira ou técnicas de manipulação em uma ideologia é o de ocultar: 1) o objetivo real, quando ele é avesso à resolução do problema ou a códigos morais ou éticos vigentes e 2) ocultar as consequências negativas do meio proposto para a resolução do suposto problema.

De modo geral, o que está por trás de tudo isso é uma visão de mundo que dificilmente é declarada em discussões a respeito de fins e meios, mas que fundamenta um contexto de situação que demanda soluções.

Veremos a Ideologia de Gênero e o Ambientalismo como exemplos por representarem juntas a maior das agendas políticas globais da atualidade.

Enquanto a IG trabalha para o controle da população e a mudança nos valores e paradigmas do direito (direito natural x direito positivo), abrindo espaço para as redefinições linguísticas e cognitivas, o ambientalismo trabalha na reengenharia econômica ao criar crenças comuns que legitimem o controle global dos recursos naturais e a intervenção econômica das nações.

Vejamos nas próximas postagens como funciona cada uma delas no que se refere à persuasão por meio de discursos científicos e manipulações cognitivas.

Continua…