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Militância petista agride cidadãos em Florianópolis

Pelo menos um caso de agressão ocorreu ontem (24/10) no Centro de Florianópolis, próximo ao Terminal do Centro. Um homem que distribuía panfletos anti-PT foi abordado e teve os panfletos confiscados por um grupo de militantes do Partido dos Trabalhadores.

Segundo ele, um dos militantes o agrediu fisicamente na presença de várias pessoas que passavam pelo local.

Mais tarde, um dos dirigentes do partido foi visto de posse dos mesmos panfletos na rua Felipe Schmidt, próximo ao comitê do PT, no centro da Capital.

Audiências públicas e a democracia (parte I)

O problema da compreensão das definições de idéias políticas nas redações de jornais decorre, em última análise, da pouca informação que dispõem os meios acadêmicos destinados a formar profissionais para a área. Se nos cursos especializados em ciência política e sociologia é unânime a noção da necessidade simples do Estado na apropriação totalitária dos poderes políticos para garantir ao povo maior igualdade, não será nos cursos de jornalismo que estas idéias serão diferentes.

Em uma das cláusulas do código de ética do profissional ele deve priorizar o interesse público ou comunitário. Isso implica possivelmente em pender para o lado popular no que disser respeito a embates entre público e privado, o que ainda assim, manteria o profissional dentro da aceitação ética do jornalista. Mas confrontando este aspecto meramente discursivo do jargão jornalístico com a real situação política dos ambientes onde ocorrem os únicos debates de poder, percebe-se facilmente que em muitas vezes não houve a tão sonhada participação popular, mas a atuação de militantes políticos, cuja orientação ideológica condiz com a já citada unanimidade ou consenso. A prática das audiências públicas, que tratam de assuntos de interesse da sociedade como novas vias de acesso ou construção de empreendimentos e sua possível relação com os moradores locais, não atendem o objetivo proposto já desde seu início. As audiências públicas ou assembléias populares servem de conciliação depois da elaboração de um plano urbanístico ou de infraestrurura econômica que afete de alguma forma o modo de vida de determinada população.

As alegações de organizadores dessas assembléias, quanto à falta de coro nas reuniões, é de que as pessoas não estão habituadas a participar do planejamento público e que devem então serem conscientizadas. Poucas pessoas, no entanto, dão-se conta de que essa falta de habito vem justamente da prática do que chamamos por Democracia Representativa, onde o povo elege representantes pra cumprir o papel de defensor das suas causas para que ele possa dar atenção à sua luta diária pela sobrevivência no capitalismo.

Infelizmente, diante de tal desproporcionalidade de interesses – pois sãos os militantes menos numerosos, ainda que mais interessados – o povo desconhece os objetivos por trás da simples “conscientização” da massa popular moradora dos bairros afastados, onde criam rádios comunitárias, assembléias populares para discutirem assuntos de “interesse público”.

O que acontece com este tipo de debate vai muito além da diferença entre interesse público e interesse do público, onde o primeiro caracteriza-se pela real importância para a sociedade enquanto o segundo é mera curiosidade mórbida abastecida por jogos histriônicos de agenda setting. A busca pela compreensão das diferentes idéias políticas torna-se também inócua, uma vez que o jornalismo engajado não tem essa preocupação. Mesmo com a criação de uma apostila especial de ciência política para jornalistas políticos, a situação permaneceria, pois o apreço pela verdade possível – aquela a que podemos compreender – não faz parte do vocabulário dos estudos de semiótica, mas somente tem lugar a verdade duvidosa presente na simultaneidade e confusão do mundo moderno ocidental.