Arquivo da tag: monarquia

Morre Dona Maria Elisabeth da Baviera de Orleans e Bragança

Faleceu ontem, dia 13 de maio, aos 97 anos, a imperatriz-mãe do Brasil, Maria Elisabeth da Baviera de Orleans e Bragança, no Rio de Janeiro.

A data coincidiu com a comemoração dos 123 anos da Lei Áurea, assinada pela Princesa Isabel, avó do marido de D. Maria, D. Pedro Henrique.

Maria Elisabeth nasceu em 9 de setembro de 1914, em plena Primeira Guerra Mundial no Castelo de Nymphenburg, em Munique, então capital do Reino da Baviera, parte do Império Alemão. Entre seus antepassados, estavam o rei Ludwig e a imperatriz Sissi, da Áustria. Foi também no castelo, 19 de agosto de 1937, que D. Maria se casou com o então chefe da Casa Imperial do Brasil, D. Pedro Henrique, cerimônia que lhes rendeu muitas dores de cabeça, pois o casal convidou vários chefes de Casas Reais europeias, entre os quais a grã-duquesa Charlotte I de Luxemburgo e o rei espanhol Alfonso XIII da Espanha, mas não os oficiais nazistas de Hitler, que encararam a exclusão como uma afronta.

A princesa sobreviveu a duas guerras: teve as propriedades das famílias confiscadas pelos sucessivos regimes alemães e se viu obrigada a morar, até a maioridade, na Hungria, no castelo da avó, Maria Teresa, nascida arquiduquesa da Áustria, princesa húngara e de Módena. Quando voltou à Baviera, já com os bens restabelecidos, seu tio, Rodolfo, declarou-se inimigo de Hitler e a família teve de fugir novamente, para a Itália. Sua tia, a princesa Antonieta de Luxemburgo, foi interceptada por milicianos nazistas, que a torturaram nos calabouços do regime. E assim, fugindo das guerras, D. Maria morou na França, na Suíça, na Itália e na Hungria, o que a tornou uma opositora ferrenha de regimes ditatoriais.

Quando vieram morar definitivamente no Brasil, em 1945, D. Pedro Henrique e D. Maria enfrentaram outra guerra; contra o irmão do príncipe, D. Pedro Gastão, em discussões sobre o destino do patrimônio da família e direitos ao trono. Tiveram 12 filhos, mudaram-se para Jacarezinho, no interior do Paraná e se instalaram em 1965 no mítico Sítio D. Maria, em Vassouras. A família imperial se dividia, assim, para sempre nos ramos de Petrópolis e de Vassouras…

Dona Maria da Baviera, junto da Família Imperial

À morte de D. Pedro Henrique, seu filho D. Luiz assumiu o posto de chefe da Casa Imperial brasileira, tornando D. Maria a ‘Imperatriz-Mãe’ do Brasil. Exímia pintora e catolicíssima, ela passou boa parte da vida se dedicando ao trabalho voluntário, como professora de artes plásticas na ONG O Sol, em que ensinava comunidades carentes a usar a arte para extrair seu sustento.

Casou-se em 19 de agosto de 1937 com o Príncipe Pedro Henrique de Orleans e Bragança, falecido em 1981, primogênito do Príncipe Luiz de Orleans e Bragança e neto da Princesa Isabel, a Redentora, a quem sucedeu na Chefia da Casa Imperial do Brasil.

Óleo de Angel Irrazabel, em comemoração ao 90º aniversário de Nossa Imperatriz, de jure Imperatriz Dona Maria do Brasil.

Curiosidade
Tendo nascido em 1914, a princesa Maria da Baviera tinha 7 anos de idade quando a Princesa Isabel do Brasil, a Redentora, faleceu, em 1921, na Europa. Se ela já fizesse parte da família na época, poderia conservar lembranças daquela que assinou a Lei Áurea no Brasil.

Anúncios

1888 | Os 123 anos da Lei Áurea

Em 13 de maio de 1888, a princesa Isabel assinava a Lei Áurea, pondo fim à escravidão no Brasil.

Sancionada pelo chamado “Gabinete de 10 de março”, formado pelo Conselheiro Rodrigo Augusto da Silva* e presidido por João Alfredo Correia de Oliveira, do Partido Conservador, a lei foi o ápice de um processo que vinha desde 1850, com a Lei Eusébio de Queirós, que proibia o intercâmbio de escravos, seguida, em 1871 pela Lei do Ventre Livre e, em 1885, com a Lei dos Sexagenários, que libertava escravos com mais de 60 anos.

A Lei Áurea foi apresentada pelo ministro Rodrigo A. da Silva, dois dias antes quando começou a ser debatida no Senado. Foi votada, aprovada e encaminhada para a assinatura da princesa Isabel no mesmo dia 13 de maio.

Conselheiro Rodrigo Augusto da Silva

(*) Conselheiro Rodrigo Augusto da Silva, autor da Lei Áurea, era presidente do Partido Conservador. Seu pai, o Barão do Tietê, também foi lider dos conservadores e sei sogro foi o senador Eusébio de Queirós, autor da lei que proibia o comércio de escravos.


Dom Bertrand, parte 1: “não há democracia no Brasil”

O príncipe Imperial do Brasil, Dom Bertrand de Orleans e Bragança esteve em Florianópolis para prestigiar a nomeação do procurador Gilberto Callado para a Academia Catarinense de Letras. Em entrevista na casa do procurador, onde ficou hospedado por dois dias, o príncipe falou sobre diversos temas da atualidade e da política brasileira como democracia, reforma agrária e economia.

Uma das maiores ameaças à democracia, segundo D. Bertrand, são os conflitos agrários. O príncipe participa do Movimento Paz no Campo, que se opõe á Reforma Agrária, o que considera uma proposta inviável para o desenvolvimento do país. “Eu costumo desafiar a qualquer economista, sociólogo ou historiador, a enumerar uma reforma agrária na história do mundo que tenha dado certo”, aponta. “Não existe”. Segundo ele, os resultados desse tipo de reforma são a chamada favela rural. Para ele, os agricultores “vítimas” da reforma agrária feita até agora, só não morrem de fome por que o Governo compra alimentos dos produtores para fazer a cesta-básica. Para ele a solução do campo não está na reforma agrária, mas na iniciativa privada. “O Agronegócio criou em um ano 1,3 milhão de empregos, enquanto que a reforma assentou cerca de 40 mil famílias”, conta citando dados do Ministério da Agricultura sobre os anos de 2003 e 2004, apontados como a melhor safra. “O que cria emprego é a iniciativa privada”, conclui.

O príncipe Imperial aponta três princípios sócio econômicos que  “respeitados, a nação floresce, não respeitados, a nação fenece”, diz o monarca. Deles depende o desenvolvimento de um país.

O primeiro diz respeito à livre iniciativa. “Sem ela, você inibe a capacidade criativa de um povo. A prova é o fracasso dos países socialistas”, explica. O segundo é o respeito ao direito de propriedade. “Segundo a doutrina social da Igreja, este é um direito natural”. Ele cita o papa Leão XIII que teria dado a definição melhor e mais clara do funcionamento da economia. “Propriedade e trabalho é igual a capital acumulado”. E explica em seguida. “Eu trabalho algo a mais do que necessita para o meu sustento. Dia após dia, eu acumulo este ‘algo a mais’, com isso formo meu capital, compro um carro, uma casa, formo minha empresa, o que for. Mas isso é meu. É fruto do meu trabalho”, exemplifica. “Se eu não sou dono do fruto do meu trabalho, sou um escravo do Estado. A garantia da liberdade é a propriedade privada”, conclui o príncipe acrescentando que esta é a doutrina social da Igreja.

 O último princípio, também defendido pela Igreja, que ele aponta estar repleto de exemplos pelo mundo, é o que ele chama de Princípio da Subsidiariedade. Segundo esta tese, o governo não deve dar ao povo nada do que o próprio povo não tenha a capacidade de conquistar. Uma clara orígem da chamada teoria do ‘Estado mínimo’ que restringe o papel do Estado para garantir maior liberdade ao cidadão. “No topo da pirâmide deve estar o governo da União. Pequeno, leve e ágil, capaz de indicar os grandes rumos”, explica. Ele considera que hoje temos uma pirâmide invertida, com um governo colossal, hipertrofiado. “A vitalidade de uma nação não vem de cima para baixo, vem de baixo para cima. É como uma planta que tira suas forças da terra fértil”, compara. “De cima deve vir o que? A indicação dos grandes rumos, o exemplo e a coordenação das forças”. Ele acrescenta ainda que todos estes problemas produzem um custo público absurdo e os serviços são péssimos.

Cristian Derosa