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Por que a Igreja Católica é o maior obstáculo à Nova Ordem Mundial

Os utopistas da Nova Ordem Mundial odeiam o Cristianismo como um todo, cujos princípios sempre serão opostos ao poder infinito do globalismo. No entanto, do ponto de vista jurídico, a Igreja Católica é o maior obstáculo ao poder globalista por pelo menos dois grandes motivos:
1) Base espiritual: Trata-se de uma instituição milenar de caráter espiritual e portanto importante coluna do direito natural no ocidente, fator essencialmente limitador de poder;
2) Soberania jurídica: Tem sede no Vaticano, um estado nacional soberano, cujos princípios influenciam o mundo de dentro para fora, mas nada a pode influenciar de fora por conta dessa soberania.
Estratégia
Uma das estratégias globalistas mais clássicas consiste na superexposição da Igreja e de sua organização de modo a enfatizar contradições e as tensões existentes ou não com o contexto mundial (contexto este que deve ser construído por eles), para assim gerar uma falsa necessidade de interferência do mundo nas questões internas da Igreja.
Walter Lippman, assim como muitos outros teóricos de mídia e de sociologia, chamava a atenção para a existência do que chamava de “pseudo-ambiente”, isto é, um contexto construído especialmente para servir de justificativa para ações efetivas e mudanças drásticas na estrutura do tecido social. Aqui podemos interpretar o pseudo-ambiente como a função de premissa, já que não precisa ser exatamente uma descrição contextual clara, mas manifestar-se em um questionamento que passe a ideia de ser representativo da humanidade e fazer as vezes de uma questão universal e candente.
É evidente que tudo o que se publica jornalisticamente sobre o Papa e a Igreja tem esse objetivo e o Vaticano sabe disso.  Embora em muitos casos a Igreja acredite (estando certa ou errada) conseguir aproveitar-se dessa exposição vendo nela uma oportunidade de levar sua mensagem ao mundo, o fato é que a premissa dessa exposição global está presente nos dois casos, ou seja, os agentes desta exposição dificilmente são os membros da Igreja, mas a mídia submissa ao globalismo. Já que a Igreja não detém eficientemente os meios de controlar o fluxo de exposição, tampouco o viés dos produtos midiáticos, resta a ela responder às questões levantadas pela mídia utilizando-se muitas vezes de premissas fornecidas pelo agente causador da exposição. A resposta da Igreja normalmente nem precisa ser distorcida pelos jornalistas, pois o fato da pergunta já é suficientemente um fator de subjugação da Igreja ao julgamento mundano, o que já caracteriza uma inversão profunda e imperceptível de valores no grosso da audiência. Claro que a situação se complica ainda mais quando até mesmo o próprio Papa parece raciocinar nos termos midiáticos e aparentemente apressar-se a responder e com isso reforçar uma postura de submissão avessa à verdade da fé cristã e da noção de autoridade (dependência exclusiva do Autor da vida). Isso não é uma exclusividade do Papa Francisco, mas o resultado de uma postura que a Igreja tomou há tempos, o que nos parece algo carregado de erros e de aparente ingenuidade, queremos crer.

 

Por outro lado, se há outra alternativa à Igreja a não ser responder às questões levantadas, dada a situação de impotência diante do colossal poder da grande mídia globalista, não nos caberia indicar, já que compreender o problema me parece o primeiro passo de qualquer tentativa de resolvê-lo. Isso nos deve auxiliar principalmente no julgamento e interpretação das notícias sobre a Igreja, o que deve ser feito levando em consideração seus efeitos e, portanto, seu agente, conforme um simples exercício de associação baseado na pergunta: a quem isso ajuda? Se ajuda aos globalistas e seu poder sobre as mídias já é atestado, claramente se trata de uma ação orquestrada para este fim. E sobre isso há bastante informação disponível que ateste a incrível capacidade das instituições e entidades globalistas de controlar os meios de comunicação. Basta ver o meu artigo sobre o Project Syndicate.

Exemplos temos em demasia. O primeiro deles e mais óbvio são as acusações de pedofilia na Igreja. É sabido que casos reais existem e devem ser combatidos. No entanto, é um traço típico da mentalidade dos meros consumidores de notícias não atentar-se para o contexto em que essas denúncias surgem ou de quem elas vêm. Em um mundo hiper-sexualizado, onde todas as taras sexuais, incluindo homossexualismo, pedofilia, necrofilia, zoofilia, já contam com entidades de defesa e proselitismo sexual vindo da própria ONU e UNESCO, onde a educação sexualizante para crianças tem sido empurrada goela abaixo de todos os países do mundo, nos parece bastante estranho que os mesmos agentes promotores destas obscenidades tentem colocar a Igreja Católica no centro do problema das taras sexuais. Trata-se de uma forma ardilosa de gerar uma falsa necessidade de o mundo fiscalizar a Igreja e sua estrutura, além, é claro, de distrair o mundo dos infindáveis escândalos de pedofilia na própria ONU que são denunciados pelo mundo a fora e superam em muito os da Igreja.

Embora este tipo de assédio jurídico-midiático ocorra com todos os estados nacionais, o Vaticano é o alvo prioritário, por ser o repositório ocidental do que chamamos de direito natural, isto é, a base jurídica que nos permite julgar se uma lei é justa ou injusta, por carregar valores pré-jurídicos. O caso da pedofilia na Igreja esconde ainda uma agenda dupla que é a questão do celibato clerical, algo odiado e cada vez menos compreendido, mas muito mais por força de uma contextualização construída e aceita pela maioria, na qual o ponto mais alto da satisfação humana está na sexualidade e na realização dos desejos. Desejos estes que, para os fins do direito positivo da Nova Ordem Mundial, devem servir de matriz às reivindicações de mais direitos. Só assim, o que se conhece como direito pode ganhar um caráter subjetivo, um passo importante na direção da relativização do direito e, portanto, no sepultamento dos conceitos universais. Afinal, sendo o homem escravo dos próprios desejos, toda a força dispendida à sua realização irá inevitavelmente na mesma direção de conceder aos legisladores mais e mais poder para que garantam seus direitos. Uma artimanha tão velha quanto letal.

Outro exemplo muito claro é a cobertura e a atenção dada pela mídia ao Sínodo dos Bispos, cujo tema foi a família. A expectativa da grande mídia coincide com agendas da ala modernista da Igreja, como a comunhão de recasados (no fundo, mirando no dogma da indissolubilidade do casamento) e a aceitação de uniões entre pessoas do mesmo sexo, o que pressupõe, de fundo, a relativização do conceito de família como algo universal e independente de convenções sociais ou culturais. O maior obstáculo a estas causas é, novamente, o direito natural que, longe de ser um simples paradigma jurídico, é a base sobre a qual se construiu a noção mesma de direito e de democracia ocidentais.

Como vemos, não é possível julgar as notícias pelo seu conteúdo mas pela agenda que ela atende. Muito embora fatos expostos tenham um fundo de verdade, a verdade maior está na malícia dos difusores da informação e não na informação em si. Informações são uma parte muito pequena de uma notícia. O seu miolo, isto é, a sua alma é a intencionalidade, seja de informar ou transformar, dada a amplitude dos efeitos que advém da difusão dos fatos. Afinal, inevitavelmente a difusão de fatos gera novos fatos. Quem controla a difusão evidentemente detém uma parte importante do poder de interpretação sobre os novos fatos gerados.

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Eugenia: a administração total da multidão solitária

O consumismo não se apresenta somente como desejo por bens, mas também por direitos, privilégios e assistencialismo. Muito pior do que quaisquer tentações, a tentação deste consumismo alimenta um demônio bastante voraz: o governo. Do mesmo modo, o objeto de consumo dos governos tem sido o poder. Na mesma medida que o governo tenta o povo com promessas de direitos e assistencialismo, o povo assistido ou sedento, tenta o governo ao reivindicarem ainda mais assistência, oferecendo-lhe portanto mais poder.

Essa voracidade popular por direitos tem relação com o que David Reisman chamou de ‘geração alterdirigida’, isto é, uma geração insegura, solitária, carente e prepotente, que tanto mais quer direitos quanto maior o tamanho do vazio moral e espiritual que a civilização moderna o afundou. Esse vazio existencial, que pretende ser preenchido com direitos, tende a se aprofundar e precipitar o indivíduo em uma espiral de insatisfações aparentemente desconhecida pelo insatisfeito.

O desconhecimento do que aflige a multidão é um resultado, entre outras coisas, da perda da capacidade de dizer, de expressar o que sente. O vazio linguístico, no qual nada parece expressar coisa alguma, desenvolve apegos mágicos ou supersticiosos ao poder das palavras em si mesmas, resultando no que conhecemos como politicamente correto. Assim, virtudes ou vícios das pessoas são associados ao uso de determinadas palavras, como preconceito, diversidade, igualdade, democracia ou liberdade, entre tantas outras que podem surgir a qualquer momento, bastando que seja arbitrariamente associada com algo que evoque bons ou maus sentimentos.

É claro que estes sentimentos, que passaram a ser relacionados a palavras e expressões, são identificados por meras reações externas, constituindo muito mais um fingimento social ou afetação projetiva de um tipo de personalidade socialmente desejável. Estas personalidades desejáveis são fartamente oferecidas no mercado do consumo simbólico, aquele do qual o indivíduo vai dispor para formar sua auto-imagem.  E dentre estas personas escolhidas, há a oferta tentadora oferecida pelas agendas políticas chamada cidadania. O cidadão é, no fundo, o homem estatal, o amálgama coletivo que se faz um com o Leviatã, paródia do Reino de Deus, cujo antecedente pode estar nas consequências sociais da doutrinas da predestinação, para a qual o único compromisso do predestinado — já que sua salvação é garantida — é dar o exemplo, parecer santo e com isso incentivar a santidade no meio social de modo a aproximar o mundo ao Reino.

Sem expressividade própria, o que só poderia existir a partir do contato ininterrupto com gerações anteriores (o que denominamos tradição), qualquer sociedade se torna refém das categorias e classificações genéricas sobre ela mesma. Genéricas como cidadão. Afinal, a classificação dos homens só pode ser justificada pela necessidade administrativa, prerrogativa do estado.

Eis a ponte psicossocial entre a perda da identidade e a dissolução totalitária da cidadania. A sociedade que exige direitos e ao mesmo tempo uma administração sustentável, econômica, eficiente, clamará naturalmente à necessidade da própria eliminação por meio de controles populacionais cujos critérios variarão conforme, não o modismo cultural, mas as necessidades econômicas do governo.

Aborto eugênico, eutanásia, suicídio assistido, e toda sorte de instituições serão devidamente justificadas em nome de um bem maior, o da coletividade. E é claro que estas deformidades serão advogadas não como um mal necessário, mas como um bem em si mesmo, por meio da sua classificação sumária de direitos adquiridos.