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Ciência e ideologia III: ‘o império ecológico’

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Famosa fotomontagem publicada como jornalismo, utilizada para sensibilizar a opinião pública. Enquanto isso, a população de ursos polares está crescendo como nunca.

Toda abordagem ideológica precisa de uma etapa inicial baseada na fabricação de um tipo de consenso. Esta etapa é marcada pela objetividade e tem função meramente informativa. Neste aspecto, a credibilidade de que goza o discurso científico em uma sociedade é essencial. Isso significa que muitas ideologias contam com o suporte de uma ciência, que pode ser legítima desde que separada do seu prolongamento ideológico e uso político posterior.

No uso ideológico, é comum a busca por uma verossimilhança de critério científico. Dados e tabelas, nomes de cientistas e referências acadêmicas, grandes e complexos títulos de obras e artigos, etc, são normalmente eficientes para que o conteúdo midiático não seja questionado. Mesmo que o conteúdo científico contenha em si profundas contradições lógicas e científicas, a tendência do público é depositar confiança.  É comum, por exemplo, o jornalismo apresentar uma hipótese teórica como se fosse uma teoria ou uma teoria como se fosse uma conclusão. Nesse caso, pode criar-se uma verdadeira cultura, um sistema de crenças que vai sedimentando-se em valores inquestionáveis pretensamente universais que brevemente já nem lembram-se de onde vieram, caindo em um senso comum.

Quando a ciência ecológica começou, no final do século XIX, era uma ciência essencialmente biológica que buscava uma abordagem sistêmica sobre as inter relações entre as ciências naturais. Hoje, porém, podemos dizer que se trata de uma ideologia política, essencialmente econômica e intervencionista, que busca regular o uso dos recursos naturais de todo o planeta.

O tema da ecologia foi ganhando mídia justamente quanto mais se alinhava a utopias políticas. Desde a definição do problema inicial (a destruição da natureza) até a solução proposta (controle da economia mundial) um longo processo se estabeleceu e deixou uma série de questões propositalmente de fora das discussões. Vejamos:

Uma das mudanças imperceptíveis foi a transformação do problema da “destruição da natureza” — que antes era entendido como figura de linguagem que significava as diversas agressões que colocavam os recursos naturais em risco — em um macrossistema de desequilíbrio planetário. Esta mudança sutil, feita por meio do desenvolvimento da teoria geral dos sistemas, claramente impõe soluções planetárias a problemas que antes eram tratados como locais.

As noções de “equilíbrio ecológico” ou equilíbrio planetário não pertencem ao mundo das ciências — naturais ou humanas — mas à literatura místico-esotérica dos séculos anteriores popularizada por editoras maçônicas e que ganhou o público urbano por volta do século XIX, constituindo a cultura que hoje chamamos Nova Era, que entre suas crenças inclui desde as primitivas seitas pagãs até o culto a extraterrestres.

É fácil percebermos que a noção de equilíbrio planetário pressupõe o conhecimento de um eixo principal sobre o qual o todo se equilibra. Este tipo de conhecimento só pode ser de caráter “revelado” e não empírico já que não faz parte do objeto de estudo de nenhuma ciência conhecida (exceto, de certa forma, da teologia).

Essa mudança vinda do uso de novas noções se concentrou na situação, no pressuposto ou justificativa de todo o edifício ideológico que vem depois. A abordagem sistêmica, como lembra Pascal Bernardin (em O Império Ecológico), quando aplicada à sociedade, tem a característica de ignorar o indivíduo, fazendo dele uma peça passiva de um sistema complexo. A teoria geral dos sistemas ampliou, com isso, as possibilidades teóricas da engenharia social.

Afinal, para resolver o problema do desequilíbrio ecológico, impõe-se a mudança de valores sociais. A ecologia mudou muito desde seus primórdios como ciência biológica, quando denunciava a ambição humana pelo controle técnico da natureza, até o ponto atual em que defende radicalmente o controle social sobre a mente humana como meio de controlar o planeta.

Da ciência para a mídia

Como já dissemos, o jornalismo quando fala de ciência se utiliza da credibilidade emprestada das ciências. Mas todos sabem o que é a ciência? Segundo o filósofo Olavo de Carvalho, há pelo menos três sentidos em que a palavra ciência pode ser entendida. Primeiro, como método de investigação; segundo, como conjunto de comunidades científicas, o que pode representar uma única comunidade ou algumas delas seletivamente; e, terceiro, a ciência como critério de validação de conhecimentos a serem usados pela política e para o bem (ou mal) da sociedade.

Em geral, a mídia utiliza o termo neste último sentido, como critério de validade de informações que o jornalista ou o jornal não poderia validar e, portanto, livra-se da responsabilidade por elas.

Embora o jornalista não explique ao seu público o sentido em que está usando o conteúdo científico, isso está patente pela própria essência da profissão. Portanto, os outros dois sentidos ficam implícitos como acidentes. Há a credibilidade do método, implícita socialmente, e o uso seletivo de comunidades científicas ou cientistas individuais. Neste último caso, a seleção não fica sempre por conta do jornalista, mas de organismos como a ONU (ex. IPCC).

Em 2013, demonstrei, em uma dissertação de mestrado em jornalismo, que a abordagem sobre Aquecimento Global no Diário Catarinense durante o ano de 2007, foi cerca de 46% pedagógica e apenas 29% informativa. A abordagem informativa concentrou-se nos primeiros meses enquanto a pedagógica, nos últimos. Isso parece indicar que a informação precisa vir antes da atribuição de valores e da sugestão de mudanças de comportamento, exatamente como acontece na chamada Teoria do Agendamento, que propõe duas fases, a do objeto e a do atributo.

A passagem de uma função para a outra se deu por meio do direcionamento político do jornalismo ambiental, que correspondeu a 35% e concentrou-se justamente na transição entre os dois. A função política em geral significa a geração de pressão para que países se mobilizassem para enfrentar o problema das mudanças climáticas.

Função Informativa: 29% — primeiros dois meses
Função Pedagógica: 46% — últimos meses

A função informativa coincidiu com a abordagem mair naturalista, isto é, focada na necessidade de preservação das belezas, florestas, animais em extinção, enfim, temas que tocam a sensibilidade e o zelo pelo planeta. Já a pedagógica e última focou somente em como o ser humano, mediante mudanças culturais e sociais, poderia contribuir para a “saúde do planeta”.

OBS.: Este estudo foi feito com atenção unicamente ao aspecto ideológico do ambientalismo, sem prejuízo dos problemas reais a serem enfrentados. Como acredito que a verdade não pode ser transmitida com o uso de mentiras, as denúncias que faço são em relação exclusivamente às mentiras utilizadas, acreditando que os fins não justificam os meios. No máximo podemos sugerir que, se os meios são ruins, a necessidade dos fins resultam no mínimo suspeitos.

Onde está a verdade inconveniente?

O relatório emitido pelas Nações Unidas é unânime: todos os cientistas do mundo concordam que a Terra vai aquecer em até 4º C até 2100 e isso é indiscutivelmente conseqüência da atividade humana no Planeta. Por outro lado, é sabido que no meio científico nunca houve consenso a respeito de qualquer assunto que fosse. Sempre há opiniões contrárias, discordâncias metodológicas e técnicas.

Mas nunca uma verdade pareceu tão inconveniente quanto a de que nem todos os cientistas – incluindo membros que participaram das pesquisas da ONU – concordaram com o relatório final que, segundo importantes nomes da Academia Nacional de Ciências dos EUA, nem ao menos passou pelas mãos dos renomados técnicos contratados para fazê-lo. Richard S. Lindzen, do MIT, Massaschusets Institute of Tecnology, foi um dos nomes citados para pôr fim ao debate e comprovar os perigos do aquecimento global. Junto de outros cientistas, estranhou que, nem ele nem os outros, viram o relatório antes de ser publicado. E posteriormente, também o sumário do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) não passou pelas mãos dos cientistas da Academia listados para acompanhar o processo.

Outro especialista que discorda dos resultados alarmantes das Nações Unidas é o professor de ciências ambientais da Universidade da Virgínia, Patrick J. Michels. Ele se refere ao sumário do IPCC de 2001 como cheio de “falsidades e erros notórios”.

O documentário “The Great Global Warming Swindle”, produzido pela televisão inglesa Channel 4, que é o oposto do plaudido documentário “Verdade Inconveniente”, produzido pelo ex-vice presidente americano Al Gore, está causando polêmica, por demonstrar que o aquecimento teria na verdade causas puramente naturais e cíclicas ligadas a um comportamento normal da Terra. É claro que o homem tem o poder de destruir a vida no planeta, mas parece que ainda estaríamos longe. Em meio a tudo isso, fica a questão: que verdade inconveniente é esta que é aplaudida e premiada no mundo inteiro?

NOTA: A lista dos cientístas que são contra as afirmações de que o aquecimento é culpa da ação humana é grande e em breve apresentarei aqui, entrevista com representantes brasileiros.